Fevereiro foi mês mais quente da história, 1,35°C acima da média

Fevereiro foi mês mais quente da história, 1,35°C acima da média

Lembra que o mundo concordou em Paris no final do ano passado que seria ideal que o aumento da temperatura média anual do planeta fosse no máximo de 1,5°C até o final deste século? Se depender do desempenho do mês passado, estamos quase lá

Giovana Girardi

14 Março 2016 | 18h46

fevereiro

O caro leitor pode achar que essa notícia tem cara de dejà vu. E tenho de admitir que já está ficando repetitivo de noticiar, mas o fato é que o planeta não fica mais quente só ano a ano, mas mês a mês. E fevereiro, acaba de revelar a Nasa, foi muito quente mesmo. Lembra que o mundo concordou em Paris no final do ano passado que seria ideal que o aumento da temperatura média do planeta fosse no máximo de 1,5°C até o final deste século? Pois o mês passado foi 1,35°C mais quente que a média observada no planeta entre 1951-1980.

É o mais alto valor para um mês desde que a temperatura do planeta começou a ser registrada, em 1880. Os dados foram informados no sábado, 12, pela agência espacial norte-americana, que rotulou o novo recorde como “chocante” e alertou para uma “emergência climática”.

Pesquisadores que em geral tentam adotar um tom sóbrio ao anunciar esses dados mostraram perplexidade. “Acho que mesmo o pessoal mais duro que trabalha com clima está olhando para esses dados e pensando: que diabos!”, afirmou David Carlson, diretor do Programa de Pesquisa Climática da Organização Meteorológica Mundial das Nações Unidas, à agência Reuters. “É alarmante. Temos realmente um planeta em mudanças, o que nos deixa nervosos sobre os impactos de longo prazo.”

O mês de janeiro já tinha quebrado o recorde anterior, com 1,14°C acima da média, dando uma indicação de que a temperatura média de 2016 pode também ser anormalmente elevada. Os dois últimos anos tiveram uma sequência de recordes quebrados. A temperatura média global em 2015 foi 0,9°C mais alta que a média apresentada no século 20, superando em 0,16°C a temperatura de 2014, que também já tinha quebrado esse recorde, com 0,74°C a mais, segundo análise da agência de oceanos e atmosfera dos EUA (Noaa).

A explicação é que planeta está aquecendo por causa das altas concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera. O processo de mudanças climáticas foi agravado no ano passado pela presente de um forte El Niño, mas pesquisadores tanto da Nasa quanto da Noaa disseram que mesmo sem El Niño o recorde seria quebrado em 2015 por causa do aquecimento global.

O aquecimento sem precedentes da temperatura torna cada vez mais urgente a implementação imediata do Acordo de Paris, que estabeleceu cortes de emissões de gás carbônico e outros gases, como o metano, a partir de 2020 para que a temperatura média do planeta não aqueça além de 2°C, com esforços para que fique em no máximo 1,5°C. Já é sabido que as metas estabelecidas ali não são suficientes para conter o aquecimento a esses valores. No ritmo que está, será necessário ser muito mais ousado rapidamente.

Na semana retrasada, pesquisadores brasileiros alertaram o que pode acontecer no Brasil se a temperatura do planeta subir muito mais do que os tais 2°C. Chegando, por exemplo, a 4°C. Impactos serão pesados para a saúde, para a agricultura, a energia e a biodiversidade. Melhor não esperar para ver. Mesmo no ritmo atual, impacto na produção de alimentos pode causar 529 mil mortes a mais.

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