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British Antarctic Survey/Reuters

Com 0,9°C a mais, 2015 é o ano mais quente da história

De acordo com a Nasa e a Noaa, principal fator foi presença de um forte El Niño; mas, mesmo sem ele, ano seria o mais quente por causa da alta queima de combustíveis fósseis, o que provoca o aquecimento global

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Giovana Girardi,
O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2016 | 14h40

Atualizada às 15h42

A sequência de meses quentes no ano passado já tinha deixado claro que 2015 bateria todos os recordes de temperatura e isso acaba de ser confirmado oficialmente pela agência espacial americana (Nasa) e pela agência de oceanos e atmosfera dos EUA (Noaa). 

A temperatura média global em 2015 foi 0,9°C mais alta que a média apresentada no século 20, confirmando que o ano foi, de longe, o mais quente da história. A temperatura é ainda 0,16°C mais quente que a média apresentada em 2014, que também já tinha quebrado esse recorde, com 0,74°C a mais, de acordo com análise da Noaa, apresentada nesta quarta-feira, 20.

Considerando os dados coletados da Nasa, a temperatura média no ano passado foi 0,87°C mais alta que a média apresentada entre 1951 e 1980. Apesar da diferença de metodologia, ambas as medições colocam o ano anterior quebrando todos os recordes desde que o registro de temperatura começou a ser feito, em 1880. Um olhar sobre cada mês de 2015 também mostra que em dez deles a média foi maior que a média histórica.

A principal contribuição para a temperatura tão elevada, de acordo com as duas agências, foi a presença de um forte El Niño, fenômeno de aquecimento das águas do oceano Pacífico. Mas segundo Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa, e Thomas R. Karl, diretor do Centro National de Informação Ambiental da Noaa, mesmo se não houvesse o El Niño, ainda assim 2015 seria o mais quente porque segue um padrão de aquecimento que vem acontecendo nas últimas décadas. 

Este padrão, lembram os pesquisadores, é consequência inequívoca das altas emissões de gases de efeito estufa que provocam as mudanças climáticas. A dupla concedeu entrevista por teleconferência nesta quarta-feira, 20. 

De acordo com os dados apresentados, desde 1976, a temperatura média do planeta não fica abaixo da média histórica do século 20. Dos 11 anos mais quentes da história, com exceção de 1998, todos estão nos anos 2000. Sendo que os quatro mais quentes ocorreram na última década (2013, 2010, 2014 e 2015, em ordem de crescimento).

O valor apresentado em 2015 também surpreende por ter batido o recorde com bastante folga em relação aos anos anteriores. De 2014 para 2010, por exemplo, segundo e terceiro lugar respectivamente, o aumento, pelos dados da Noaa, foi de somente 0,04°C.

E a expectativa é que esse padrão continue se repetindo, com recordes sendo quebrados ano a ano. “Se for para apostar, 2016 vai ser ainda mais quente que 2015”, disse Karl.

Acordo de Paris. Os dados confirmam que o planeta está perigosamente avançado rápido em direção a temperaturas muito elevadas, que podem trazer consequências danosas à humanidade. Isso se dá, principalmente, em razão da queima excessiva de combustíveis fósseis e da destruição de florestas.

Em dezembro do ano passado, 195 nações do mundo assinaram o Acordo de Paris, que estabeleceu que o mundo deve conter o aquecimento do planeta a menos de 2°C até o final do século, com esforços para que a elevação da temperatura não passe de 1,5°C. Considerando que em 2015 já ficamos perto de 1°C, Karl e Schmidt estimam que não estamos muito longe de chegar ao 1,5°C, se for mantido o padrão das últimas décadas.

Eles compararam as temperaturas mais recentes com as apresentadas nos últimos 20 anos do século 19. Por esse olhar, o aquecimento já superou 1°C. E alertam: não tem jeito de conter isso sem reduzir drasticamente a queima de combustíveis fósseis.

Para 2016, dizem, a expectativa é que, junto com a temperatura média mais alta, o planeta também sofra com mais ondas de calor, como as que atingiram Índia e Europa no último ano, e um aumento da ocorrência de chuvas fortes.

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