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Carro do Ibama é incendiado em MT, em novo ataque contra o órgão

O alvo desta vez foi uma caminhonete da fiscalização que estava estacionada em Colniza, no noroeste do Estado, em retaliação contra o combate à extração ilegal de madeira em terra indígena

Giovana Girardi e Fátima Lessa, O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2017 | 17h10
Atualizado 07 Novembro 2017 | 20h35

Mais uma viatura do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi incendiada nesta terça-feira, 7, em meio a uma série de retaliações que têm ocorrido nos últimos meses contra as ações do órgão de combate a desmatamento e ao garimpo ilegal.

O alvo desta vez foi uma caminhonete da fiscalização que estava dentro da reserva extrativista de Guariba, em Colniza, noroeste de Mato Grosso, a 70 km da gleba de Taquaraçu local onde em maio aconteceu uma chacina que deixou 9 mortos. A Polícia Militar informou que não houve feridos. A delegacia da Polícia Civil de Colniza vai instaurar inquérito para investigar e descobrir os autores pelo ataque.  

O carro era de Goiás e fazia parte de uma operação de rotina que ocorre em toda a Amazônia para o combate ao desmatamento chamada Onda Verde. O Ibama acredita, porém, que o ataque tenha sido em retaliação a várias ações de combate à retirada ilegal de madeira de terras indígenas da região, como as de Aripuanã, Piripikura e Kawahiva. Em contrapartida ao ataque, a presidente do Ibama, Sueli Araújo, determinou o bloqueio preventivo de todas as serrarias da região de Colniza.

No final de setembro, na divisa entre MT e Rondônia, 18 serrarias já haviam sido embargadas por suspeita de estarem comercializando madeira tirada de terra indígena. Agentes ambientais encontraram estoques de castanheira serrada (espécie cujo corte é proibido) e toras escondidas sob a serragem, com o objetivo de dificultar a fiscalização.

“Algumas dessas terras indígenas têm índios isolados. O madeireiro entra e tira madeira. É um movimento que tem de se valido de muito crédito virtual que está disponível –créditos que sobram de planos de manejo florestais fraudulentos ou de empresas fantasmas. Eles usam isso para ‘esquentar’ as madeiras extraídas ilegalmente de dentro das terras indígenas e, quando elas chegam ao Rio e a São Paulo, parecem ‘legalizadas’”, explica Livia Martins, superintendente do Ibama em MT.

É em torno desse movimento que o órgão estava agindo ao longo da última semana. “A gente está entrando nas TIs e flagrando um volume muito grande de madeira. Na maioria dos casos, fazemos a apreensão, mas se não tem como retirar, destruímos os equipamentos para não ter reincidência”, afirma. "E é tudo madeira boa. Os últimos maciços de floresta estão no noroeste do Estado, nas terras indígenas", complementa.

Livia diz que nos últimos dias a inteligência do órgão começou a detectar um número alto de postagens em redes sociais com incitação à violência contra funcionários do Ibama. 

Uma delas, postada há dois dias, dizia: “Só acho q fogo no Ibama ou em carro do governo não muda nada... Deveria ser nos carros particular (sic) ou na casa deles. Quem sabe em outra abordagem eles ia (sic) rever suas ação (sic) e respeitar quem realmente está suando para ganhar seu pão de cada dia...”.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) divulgou uma nota, no início da noite, em que informa que a maioria do desmatamento ilegal do Estado se concentra nessa região. "A Sema realizou neste ano uma força tarefa para inibir irregularidades cometidas por madeireiras. De março a agosto de 2017 o grupo apreendeu cerca de 4 mil m³ de madeira ilegal, o que corresponde a 143 carretas", diz a nota.

Em 2015, a região do ataque foi alvo de uma grande operação de combate ao desmatamento ilegal. Na ocasião, os fiscais apreenderam 600 m³ de madeira, o suficiente para carregar 40 caminhões, de madeira ilegais. Colniza já liderou o ranking de desmatamento ilegal do país.

Histórico

É o segundo ataque a órgãos ambientais federais em menos de duas semanas. No dia 28, as sedes do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de vários carros e um barco foram incendiados em Humaitá (AM) após ação de combate ao garimpo ilegal.

Em julho, um caminhão-cegonha com oito carros do Ibama foi queimado na BR-163, em Altamira, no Pará. A área ficou no centro da polêmica sobre a Medida Provisória (MP) 756, que reduzia a Floresta Nacional de Jamanxim. Na época, manifestantes pró-MP faziam bloqueios na via.

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