Corpo de Bombeiros
Corpo de Bombeiros

Barco do ICMBio é incendiado em novo ataque no sul do Amazonas

Embarcação tinha sido usada em operação de combate ao garimpo ilegal; série de ataques começou na sexta-feira e queimou as sedes de órgãos ambientais

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2017 | 21h48

Um barco do Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio) atracado na região de Humaitá, no sul do Amazonas, foi incendiado neste sábado, 28, em uma continuação da série de ataques que teve início na sexta-feira, 27, contra órgãos ambientais do governo federal no local. Ninguém ficou ferido.

Na sexta, no final da tarde, as sedes e carros do instituto e do Ibama foram incendiados em retaliação à operação Ouro Fino, que combatia ao longo da semana o garimpo ilegal de ouro no Rio Madeira.

Uma turba de algumas centenas de garimpeiros se movimentou pela cidade atacando os prédios. O do Incra também foi alvo e foi queimado parcialmente. Duas casas de servidores do Ibama foram assaltadas em meio ao caos.

Neste sábado, enquanto as Polícias Federal e Rodoviária Federal, a Força Nacional e a Polícia Militar retomavam o controle da cidade, cerca de 30 funcionários dos órgãos ambientais foram levados escoltados para Porto Velho. O barco, que tinha sido usado na operação, estava atracado vazio fora da cidade e foi totalmente destruído pelo fogo.

No início da tarde, o secretário de Segurança do Amazonas, Bosco Saraiva, em entrevista para jornais locais, questionou a ação do Ibama de queimar balsas de garimpeiros e sugeriu que o ataque da população se deu em reação a isso. 

“A notícia que se tem é que membros do Ibama teriam ateado fogo – portanto, extrapolado aquilo que era uma fiscalização – em balsas. Balsas inclusive que teriam residência sobre elas e teria afetado muitas famílias”, afirmou.

Ao Estado, Luciano Evaristo, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, justificou a ação. “O objetivo era apreender as balsas que estavam na Floresta Nacional de Humaitá, uma unidade de conservação, onde o garimpo é ilegal. Eram 39. Oito não conseguimos puxar, por um problema no rebocador, e optamos por destruí-las”, disse.

“Mas estávamos levando 31 delas, quando garimpeiros atacaram o rebocador, ameaçaram a tripulação. Ficamos com as balsas na nossa mão, à deriva dentro de uma área protegida, podendo contaminar o rio com mercúrio. Por isso a decisão foi fazer uma destruição cautelar”, explicou.

Evaristo classificou o ato como “a maior inversão de valores” que ele disse ter visto ao longo de 40 anos como servidor público. “É o bandido protestando pelo direito dele de continuae sendo bandido”, disse.

Segundo ele, a ação mais racional seria questionar na justiça a queima das balsas. “Se o Ibama errou, se por um acaso se tratassem de pessoas atuando legalmente, o Ibama teria de reembolsá-los. O cara tem de fazer sua defesa e requer indenização. Em vez disso foram destruir tudo, é um cometimento terrorista”, diz.

Evaristo e Ricardo Soavinski, presidente do ICMBio, afirmaram que as ações de combate ao garimpo vão continuar.

Os dois órgãos também se manifestaram por meio de nota: “Essa atividade ilegal é altamente impactante e causa graves danos ao meio ambiente e à saúde humana, além do risco à navegação. Normalmente associado a diversos outros crimes como contrabando e sonegação fiscal, o garimpo ilegal financia a grilagem de terras e contribuiu para o aumento da violência no campo. Este cenário exige atuação firme das instituições públicas”.

Mais conteúdo sobre:
Biodiversidade Garimpo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.