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Óleo já atinge raio de quase 1 Km ao redor de navio no litoral do Maranhão

Embarcação sul-coreana também carrega 295 mil toneladas de minério da Vale; mancha foi detectada pela aeronave com sensores do Ibama

André Borges, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 13h58
Atualizado 02 de março de 2020 | 12h00

BRASÍLIA- O óleo que vaza do navio MV Stella Banner, que carrega 295 mil toneladas de minério da Vale e se encontra no litoral do Maranhão, já se espalha por quase um quilômetro de raio em volta da embarcação. As informações foram confirmadas ao Estado por fontes do Ibama. A reportagem obteve uma imagem que mostra o navio no centro e a mancha se espalhando ao redor, com raio de 830 metros.

Além do minério, o navio carrega mais 4 mil toneladas de óleo diesel, extremamente nocivo ao meio ambiente. A mancha foi detectada nesta quinta-feira, 27, pela aeronave com sensores do Ibama.

Nesta quinta-feira, 27, a Marinha chegou a afirmar que, apesar de duas avarias na proa do navio, não havia vazamentos. Por meio de nota já divulgada, a força armada declarou que as causas do acidente ainda não foram identificadas e que o problema ocorreu às 21h30 da segunda-feira, 24.

Abaixo, assista ao vídeo do navio tombado no oceano:

Barcos de contenção de óleo são enviados até navio

O Ibama e a Petrobrás enviaram barcos de contenção para tentar evitar os estragos que o vazamento de óleo poderá causar ao meio ambiente, caso o material do navio MV Stellar Banner se espalhe com rapidez.

Até o momento, o vazamento verificado aponta para um tipo de material que teria saído do porão do navio, e não de seu tanque de combustível. Os cálculos iniciais dão conta de que a mancha verificada somaria cerca de 330 litros de óleo.

Nesta quinta e sexta, o Ibama enviou embarcações de contenção para a região. A Vale declarou que dois navios cedidos pela Petrobrás para contenção de vazamento de óleo também iniciaram navegação na noite de quinta-feira, 27, até o ponto do acidente. A previsão é que cheguem ao local neste sábado, 29. A mineradora também solicitou barreiras de contenção para uso em mar aberto.

Os danos ambientais ainda são difíceis de serem mensurados, mas o resultado de uma exposição total do minério e do óleo que estão dentro da embarcação seria trágico, segundo especialistas.

Em relato ao Podcast do Estado, a professora sênior do Instituto Oceanográfico da USP, Yara Schaeffer Novelli, e o pesquisador do Centro de Biologia Marinha da USP, Ronaldo Francini Filho, afirmaram que tanto o óleo quanto o minério de ferro possuem composições tóxicas e que, a depender da corrente marítima, poderiam chegar até a costa do Maranhão.

A embarcação, que desde a segunda-feira, 24, está tombada e encalhada em um suposto banco de areia,  mede 55 metros de largura, por 340 metros de comprimento. Isso equivale à área de mais de três campos de futebol. O calado do barco (profundidade dentro da água) é de 21,5 metros, uma altura similar à de um prédio de sete andares.

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