Estadão
Marina Grossi, Fernando Gabeira, Carlos Nobre e Rodrigo Maia em live nesta quinta-feira. Estadão

Sem preocupação com a questão fiscal e o meio ambiente, nada será relevante, diz Maia

Presidente da Câmara participou nesta quinta-feira de seminário promovido pelo 'Estadão' sobre Retomada Verde

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 12h44
Atualizado 03 de setembro de 2020 | 17h40

A retomada da economia brasileira tem de ocorrer a partir de um grande pacto pela economia verde, e não nas mesmas bases de antes da pandemia do coronavírus, sob o risco de o País ficar de fora de grandes mercados globais. É preciso ter mais inclusão social e uma economia circular, voltada à inovação com critérios ambientalmente corretos.

Essa foi uma das conclusões do debate promovido nesta quinta-feira, 3, pelo Estadão, com o tema Como fazer o Brasil passar de um vilão internacional a uma potência sustentável e participações de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Nobre, cientista e pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, e Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). A moderação foi de Fernando Gabeira, articulista do Estadão.

O painel faz parte de um seminário sobre Retomada Verde, que vai até sexta-feira, 4. Autoridades, especialistas e representantes de diferentes setores da sociedade discutirão assuntos relacionados ao movimento global que surgiu durante a pandemia da covid-19 e propõe reconstruir a economia dos países de maneira mais sustentável (veja como se inscrever no seminário em https://bit.ly/2YPvH4c). 

Maia afirmou que uma das tarefas é recuperar a imagem do Brasil, que há muitos anos vinha sendo construída na linha da preocupação com a preservação e valorização do nosso meio ambiente, mas, “infelizmente”, o presidente Jair Bolsonaro ganha a eleição com outro discurso. Ele citou que, ao longo de 2019, o Ministério do Meio Ambiente desmontou tudo o que foi construído desde a década de 90.

“Isso certamente teve um impacto muito grande na nossa imagem no mundo e, mais que isso, teve impactos nas decisões de investimentos no País”, disse, ao ressaltar a perda de confiança por parte dos investidores e capital estrangeiro indo embora. “E nós, sem dúvida, precisamos sim atrair capital externo.”

Segundo ele, a Câmara vem tentando atuar com projetos conjuntos para os setores do meio ambiente, agronegócio e área financeira, a fim de ampliar esse debate e promover a melhoria da imagem do País, sobretudo junto aos investidores.

"Do ponto de vista da Câmara, estamos tentando construir consensos para mostrar a importância da preservação do meio ambiente para que o País recupere a capacidade de atração de investimentos num ambiente seguro, com duas âncoras importantes: a fiscal e a ambiental", disse. "Sem essas duas âncoras, nada será relevante", emendou, destacando que isso tem de ser preocupação permanente.

O presidente da Câmara lembrou que as recentes pressões externa e interna pelo fim do desmatamento da Amazônia levaram parte da sociedade a trabalhar com outra ordem relacionada à preservação ambiental. E ressaltou que há vários projetos em discussão na Câmara, como o da punição ao desmatamento ilegal e como avançar no mercado de carbono. Para ele, a sociedade precisa sinalizar de forma clara, mostrando que a agenda ambiental é prioridade de todos, e também pressionar o governo.

Marina Grossi reforçou que o Brasil  tem a maior biodiversidade do mundo e matriz limpa, e que nenhum país do mundo fala em retomada pós-pandemia sem agregar a retomada verde, “o que significa ter mais inclusão social  e uma economia mais limpa". Para ela, toda inovação no mundo dos negócios tem de ocorrer com critérios ambientalmente corretos. 

Ela afirmou também que a insegurança jurídica atrapalha negócios nessa linha e que ter leis de controle que realmente combatam o desmatamento ilegal é crucial. “A percepção é de que isso é um ganho da sociedade brasileira e precisamos fazer um grande pacto pela economia mais verde.”

Sistemas de rastreabilidade

Marina defendeu o fortalecimento de sistemas de rastreabilidade, inclusive com ajuda governamental. Segundo ela, vários países exigem, por exemplo, que a carne seja 100% rastreada no país e o Brasil não pode participar desses mercados globais mesmo tendo competitividade e algumas empresas que já atuam com sistemas de monitoramento. A rastreabilidade é uma tecnologia que consegue saber do início ao final onde o boi estava, se em área desmatada ou não. "A tecnologia aliada a questões ambientais e sociais é a resposta para o Brasil, porque somos muito competitivos.” 

O cientista Carlos Nobre disse que as pandemias, como a da covid-19, têm a ver com o desequilíbrio ecológico e ressaltou que “por muita sorte” ainda não tivemos nenhuma pandemia originada da Amazônia - local que mais tem microrganismos no mundo - diante do que estamos fazendo com a floresta. “A saída da pandemia tem de ter uma política de proteção global às florestas tropicais”, defendeu.

Nobre lembrou que as ferramentas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de monitoramento -  desenvolvidas por um grupo de pesquisadores que está entre os mais avançados do mundo -, estão disponíveis em vários países. “A parte do satélite é só para fornecer dados, mas a parte mais importante é a da inteligência, e como extrair a inteligência e informação e tornar isso uma ferramenta importante para apoiar ações de preservação.”

Em sua opinião, não faltam dados para melhorar as ações de fiscalização, “mas, infelizmente, o que atrapalha é o discurso político, apoiado pelo setor conservador do agronegócio, que incentiva um modelo atrasado de desenvolvimentismo que a gente já queria ter deixado para trás”. Segundo ele, o enfraquecimento do Inpe significaria o fortalecimento do movimento negacionista, por exemplo contra a questão das mudanças climáticas, os impactos da pandemia da covid-19, da destruição da Amazônia.

Ressaltou que é preciso avaliar se a ação dos 3.600 homens do Exército que estão hoje na Amazônia para coibir crimes ambientais está funcionando. “Infelizmente, os dados até agosto mostram que não, os desmatamentos estão nos mesmos níveis de 2019.”

Para ele, o fortalecimento da fiscalização - inclusive por parte de órgãos que já atuavam nesse trabalho -, um ataque contra os que financiam o crime ambiental, mecanismos para subsidiar os municípios que conseguem diminuir o desmatamento e demarcação de terras indígenas são ações que já deram certo no passado e precisam ser retomadas. “E o Exército pode ajudar nesse caminho.”

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'Quem não for sustentável, ficará para trás', diz presidente da Microsoft no Brasil

Executiva participou nesta quinta-feira de evento sobre organizado pelo 'Estadão' e que reúne lideranças para discutir a retomada verde no País

Renato Jakitas e Luisa Laval, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 13h58
Atualizado 03 de setembro de 2020 | 17h13

O compromisso das empresas com uma agenda verde, e que busque aliar o crescimento econômico a uma expansão socialmente responsável, é hoje a única alternativa de garantir sobrevivência às corporações na economia, seja no mercado brasileiro, seja no resto do mundo. Essa foi a conclusão do segundo módulo do seminário batizado de Retomada Verde, que vem sendo realizado pelo Estadão nesta quinta, 3, e na sexta-feira, 4 (veja como se inscrever no seminário em https://bit.ly/2YPvH4c).

A mesa de debates online reuniu três executivas que lideram ações de sustentabilidade no País, a presidente da Microsoft Brasil, Tânia Cosentino, a diretora global de sustentabilidade da Natura, Denise Hills, e a gestora de portfólio da Robeco Asset Management, Daniela da Costa-Bulthuis. A moderação foi feita por Mônica Ciarelli, chefe da sucursal do Estadão no Rio.

Elas observaram que iniciativas de descarbonização produtiva e programas que incentivem uma nova tomada de atitude por parte de presidentes, executivos e coloboradores impactam diretamente no lucro das companhias no final do período. 

"Existem estudos provando que empresas sustentáveis têm o retorno sobre o capital investidor maior", disse Daniela, da firma de investimentos Robeco, fundada em 1929 na Holanda e que faz a gestão de fundos de investimento. 

"Se for ver a análise de fundos, a gente está vendo uma sistemática melhor perfomance de fundos sustentáveis ao invés de fundos comuns. No primeiro quartil de fundos que performaram melhor do que o índice de referência, a maioria tem produtos que têm de alguma forma medidas de sustentabilidade embutidas no processo de investimento. Não é à toa que agora a maior asset management do mundo adotou políticas de sustentabilidade", afirmou ela, em referência à americana BlackRock, com US$ 6,96 trilhões em ativos sob administração. No começo do ano, o presidente da gestora, Larry Fink, comunicou o mercado que estava colocando a sustentabilidade como centro dos invetimentos.

Vida ou morte

Para a presidente da Microsoft, Tânia Cosentino, que integra a lista de 80 empresários e executivos que em julho cobrou do governo uma agenda verde para a economia, a sustentabilidade é questão de vida ou morte. "A gente está vendo sinais claros como empresa que, se você não participar da descarbonizaçao da economia, você vai ficar para trás. O consumidor que tiver poder de escolha vai te descartar, o investidor já está descartando e a sua credibilidade e capacidade de buscar investimento vai ficar comprometida", afirmou.

Denise Hills, da Natura, entende que não é possível fazer negócios de outra forma, que não colocando a agenda da sustentabilidade em primeiro lugar. "Não existem mais negócios que são capazes de gerar retornos para os acionistas sem o consequente retorno positivo para a sociedade."

Na segunda parte do evento, as executivas foram questionadas pelos leitores do Estadão sobre temas que vão desde a economia informal, e seu impacto na sustentabilidade, até o nível de engajamento dos empresários. Sobre a falta de empregos com carteira assinada e como isso repercute no desenvolvimento sustentável, Denise afirmou que é preciso repensar as relações de trabalho existentes na floresta amazônica, reforçando investimentos em tecnologia.

“O modelo construído na Amazônia nos últimos 40 anos não foi suficiente para explorar o desenvolvimento econômico, social ou sustentável”, disse a gestora da Natura. “Nesse mundo que a gente está desenhando, apontando para quase 3 graus celsius de aquecimento global, não há viabilidade humana em alguns lugares. Não é a questão de buscar emissão de carbono neutra, é carbono zero, e ainda não temos tecnologia para isso.”

Sobre o engajamento do empresariado brasileiro, Tânia acredita que ainda falta conscientização, mas que a cobrança da sociedade tem estimulado que o tema ganhe importância dentro das companhias.

“Não me importo se as empresas vão fazer as coisas pelo amor ou pela dor, desde que façam. No empresariado, acredito que já existam alguns executivos que façam por amor, que acreditam, mas há outros que estão percebendo que, se não se adequarem, eles vão estar fora do mercado. É uma preocupação que está no topo dos conselhos das empresas”, aponta a presidente da Microsoft Brasil.

Daniela diz que cada vez mais investidores vão cobrar mudanças de atitudes de empresas, e que vão se unir em prol de iniciativas sustentáveis, e que isso pode ser um bom guia para empresas pautarem sua evolução.

“As empresas podem mudar o rumo. Você pode mudar a sua maneira de atuar. E os investidores estão olhando para isso. Estamos tentando ajudar essas empresas a melhorar aspectos de governança, ambiental e social”, afirma a gestora de portfólio. “Acho que esse engajamento coletivo será uma prática cada vez mais comum, em que os investidores buscam uma opção de longo prazo para determinados problemas e determinadas indústrias.”

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Especialistas defendem informação e participação da sociedade no destino das cidades na pós-pandemia

Redução da desigualdade social também foi tema do terceiro painel do seminário promovido pelo Estadão sobre Retomada Verde

João Prata, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 17h16

As cidades no pós-pandemia e a discussão sobre como reduzir as desigualdades sociais e aumentar a qualidade de vida nas metrópoles brasileiras foram tema do terceiro painel do seminário virtual promovido pelo Estadão sobre Retomada Verde. Ao longo de uma hora de conversa, especialistas em urbanismo falaram sobre a importância das cidades voltarem a ser ocupadas e pensadas mais para as pessoas e menos para os carros. Também defenderam que a população se mobilize para acordar os políticos para a necessidade de priorizar uma agenda mais sustentável.

A mesa de debates online reuniu Roberta Kronka, professora da FAU-USP, Philip Yang, fundador do Urbem, e Ilan Cuperstein, vice-diretor regional da C40 para a América Latina. A mediação foi feita por Mauro Calliari, doutor em Urbanismo e blogueiro do Estadão.

 

"É o momento de retomada da cidade. Temos de vivenciar a cidade como cidadãos. Usar a cidade e nos sentir como participante, como alguém que tem de votar pelo que quer, ir atrás dos direitos. O momento é oportuno para colocarmos a voz e defendermos os nossos direitos. A cidade é nossa, somos nós que construímos. As plataformas estão aí para nos auxiliar. Participem, cobrem vereadores, deputados... Temos todo potencial para melhorar nossas cidades", disse Roberta Kronka, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP).

Philip Yang, fundador do Instituto Urbem, que trabalha com questões de urbanismo e estudos para a metrópole, exemplificou como os políticos podem ajudar a pensar em cidades mais justas ao citar uma comunidade que fica na Vila Leopoldina, em São Paulo, próxima ao encontro dos Rios Pinheiros e Tietê. O local costuma alagar com as chuvas de verão.

"Temos um projeto para ser votado, com financiamento privado. Tem agente de mercado disposto a colocar R$ 130 milhões para resolver o problema de assentamento. Mas o projeto está dormindo na Câmara há mais de um ano e o pessoal não vota. É um sinal de desrespeito não dar prioridade quando se sabe que tem 3 mil, 4 mil pessoas vivendo nessas condições", afirmou Yang.

Ilan Cuperstein, vice-diretor regional da C40 para a América Latina, organização que trabalha com a questão das mudanças climáticas nas cidades, ressaltou a importância do combate à desigualdade especialmente durante a pandemia, citando pesquisa que apontou que "100 milhões de pessoas devem entrar na linha da pobreza, sendo 70% de extrema pobreza." 

Segundo os especialistas, a crise global possibilita que as cidades sejam repensadas com foco, por exemplo, na redução da poluição. Cuperstein lembrou que a cidade de São Paulo tem um projeto para que os caminhões de coleta de resíduos sejam elétricos. "É fundamental que o diesel não seja utilizado. Cidades que diminuíram a circulação de veículos a diesel conseguiram melhorar na qualidade do ar. Em termos de transição tecnológica, combater o motor a combustão movido a diesel é necessário." 

Roberta também defendeu que a tecnologia seja usada em favor do envolvimento das pessoas no destino de sua cidade. "Na Espanha, há uma participação absurda das pessoas por meio das plataformas para votar tudo o que acontece", disse. Para isso, diz a professora da USP, o cidadão precisa se informar - os meios de comunicação, políticos e professores precisam dar mais condições para que cada um saiba como pode melhorar seu município.

"É complicado perguntar o que cada um quer se a pessoa não tem parâmetros porque conhece muito pouco (sobre a sua cidade). Nesse ponto as smarts cities podem ajudar muito, podem aumentar a participação e trazer demandas do que está acontecendo."

As regras no pós-pandemia também precisarão ser mais flexíveis nas grandes cidades para não ir na contramão da tecnologia. Yang deu como exemplo a concessão feita por 15 anos para a explorar as áreas de Zona Azul, sendo que a cidade pensada para a próxima década é de carros autônomos. "O estacionamento no meio fio poderia abrir espaço para mais calçadas, poderia abrir espaço para e-commerce. Uma das coisas que se fala sobre o futuro planejador é que ele tem de pensar em modalidades flexíveis."

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Sustentabilidade tem de entrar no cotidiano das pessoas

Defesa foi feita em mesa do evento Retomada Verde, do 'Estadão', que reuniu o ator Mateus Solano, a jovem ativista Paloma Costa Oliveira e a apresentadora e cineasta Marina Person 

João Prata, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 17h39

A importância de colocar a pauta de sustentabilidade e ecologia no cotidiano das pessoas, de colocá-la ainda mais nas escolas, no programa dos políticos e dentro de casa foi o principal assunto em debate no quarto módulo do seminário Retomada Verde, realizado pelo Estadão nesta quinta-feira, 3, e que continuará nesta sexta-feira, 4 (veja como se inscrever em https://bit.ly/2YPvH4c).

A mesa de debates online reuniu o ator Mateus Solano, a jovem ativista Paloma Costa Oliveira e a apresentadora e cineasta Marina Person. Quem mediou a conversa foi Rita Lisauskas, blogueira do Estadão e colunista da Rádio Eldorado.

A ativista Paloma Oliveira disse que precisa haver uma mudança de mentalidade, que o tema precisa estar presente de maneira mais ampla. "Muitos pensam em meio ambiente como algo gigante, imaginam a Floresta Amazônica lá longe. Mas não é isso. O impacto causado pelas emissões de carbono em cidades grandes, como São Paulo, Rio e Brasília, cidades estruturadas para o carro, está aí. Minha luta pela bicicleta é por uma mudança sistêmica. É necessário lutar por nova forma do coletivo. É isso que a educação traz. A minha história com a bicicleta é que fiquei cansada de ir em conferências da ONU (Organização das Nações Unidas) e ver negacionistas naquele espaço."

Para quem não conhece, Paloma foi escolhida no ano passado para falar na ONU sobre mudanças climáticas, na conferência que teve também a participação da sueca Greta Thunberg e na qual o governo brasileiro teve sua fala vetada.

O ator Mateus Solano exemplificou como que os assuntos ligados ao meio ambiente poderiam estar nas escolas. "O tema da sustentabilidade está muito pouco entranhado. Em uma live outro dia com um professor perguntei se deveria existir uma matéria de educação ambiental. Ele respondeu que não, que educação ambiental tinha de estar em todas as matérias. O meio ambiente tem de estar na frente de tudo e misturado."

Marina Person passou cinco meses da pandemia em um sítio no interior de São Paulo e comentou como pequenas mudanças podem ser fundamentais para o início de uma transformação ambiental. Ela acredita que esse período de isolamento social pode fazer com que as pessoas repensem sobre a questão do deslocamento, que impacta diretamente o meio ambiente.

"Enquanto no resto do mundo a poluição diminuiu, no Brasil aumentou por causa do desmatamento da Amazônia. Mas essa pandemia tem uma coisa da gente pensar qual a real necessidade de encontrar com alguém pessoalmente? Muitas coisas podem ser feitas remotamente. (Precisamos observar) quais são as reais necessidade e perceber o que não temos de fazer. Parece besteira pensar 'ah, mas se eu consumir só essa garrafinha não vai ser uma tragédia ambiental'. Não é bem assim. Pense globalmente."

"Temos de pensar na humanidade como um todo e pensar fora da caixa. Não importa do lado que você está na política. O retrocesso em questão de direitos humanos, ciência, educação, cultura... isso tudo a gente consegue reverter num futuro. Mas a natureza, não. Tem algo que é irreversível. O desmatamento é irreversível. É uma tragédia que vai impossibilitar a vida na Terra. Temos de pensar em termos evolutivos, em milhões de anos. O Sidarta (Ribeiro) fala uma coisa que foi uma epifania pra mim: por que a gente consegue pensar no fim do mundo e não no fim do capitalismo tal como ele é?", questionou Marina.

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