Número de focos de incêndio em todo o Brasil neste ano já é o maior desde 2013

Número de focos de incêndio em todo o Brasil neste ano já é o maior desde 2013

De 1.º de janeiro a este domingo, 18, foram registrados 71.497 focos em todo o País – alta de 82% em relação ao mesmo período do ano passado; número supera recorde de 2016

Giovana Girardi

19 de agosto de 2019 | 19h45

Depois de o Amazonas decretar, há dez dias, situação de emergência no sul do Estado e na região metropolitana de Manaus por causa de queimadas, o governo do Acre declarou na sexta-feira, 16, estado de alerta ambiental também por causa dos incêndios em matas. O problema se espalha pelo Mato Grosso e pelo Pará, mas não se restringe à Amazônia, ocorrendo em vários cantos do Brasil. O número de focos de queimadas no País já é o maior dos últimos sete anos.

De 1.º de janeiro a este domingo, 18, foram registrados 71.497 focos em todo o País – alta de 82% em relação aos 39.194 focos registrados no mesmo período do ano passado. O recorde anterior era de 2016, com 66.622 registros no mesmo período. Os dados são do Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Imagens de satélite mostram caminho da fumaça da Amazônia para o Sudeste e Sul do País. Cada cruz é um foco. Crédito: Programa Queimadas / Inpe

O Estado campeão é o Mato Grosso, com 13.641 focos, ante 7.220 no mesmo intervalo de 2018, alta de 88%. Em seguida vem o Pará, com 9.009 focos neste ano até domingo, alta de 188% em relação ao ano passado, quando o período teve 3.126 focos. Amazonas observa uma alta de 147 % no número de focos – 6.923 até este domingo, ante 2.800 no mesmo período de 2018. Rondônia apresenta 5.512 focos, ante 1.848 no ano passado – alta de 198%.

O pesquisador Alberto Setzer explica que o clima neste ano está bem mais seco que no ano passado, o que torna o cenário favorável para queimadas, mas ele diz que elas não tem origem natural. “Nesta época do ano não há fogo natural. Todas essas queimadas são originadas em atividade humana, seja acidental ou proposital. A culpa não é do clima, ele só cria as condições, mas alguém bota fogo”, afirma.

Sua expectativa é que a situação vai piorar ainda nas próximas semanas com a intensificação da seca. Setembro também é o mês que costuma ser o campeão de queimadas no ano.

O aumento das queimadas ocorre em meio a uma alta dos alertas de desmatamento na região. Dados do sistema Deter, do Inpe, que faz a detecção em tempo real da perda florestal para orientar a fiscalização do Ibama, indicam uma alta de 49,45% no desmatamento entre agosto do ano passado e julho deste ano, na comparação com os 12 meses anteriores. Monitoramentos independentes, como o feito pela ONG Imazon, também indicam uma tendência de aumento na devastação.

Proprietários de terra têm aproveitado a situação, como revelou a Folha do Progresso, de Novo Progresso (PA), no início do mês. O jornal mostrou que estava convocado para 10 de agosto o “Dia do Fogo”.

Alguns produtores confirmaram que estavam recebendo a convocação na base do boca a boca, mas Agamenon Meneses, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Novo Progresso negou que isso ocorreria. Imagens de satélite capturadas pelo Inpe, porém, confirmaram um aumento de focos na região e na Floresta Nacional de Jamanxim, vizinha ao município, há uma semana.

A repentina escuridão que se abateu pela capital paulista nesta segunda-feira, 19, chegou a ser apontada por alguns especialistas como um reflexo das queimadas. De fato, explica Setzer, a fumaça desce para o Sudeste e Sul do País, mas ele afirma que não seria o suficiente para, sozinha, explicar a mudança observada na cidade.

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