RAPHAEL ALVES / AFP
RAPHAEL ALVES / AFP

Desmatamento explode em julho e chega a 2.254 km², um terço dos últimos 12 meses

O volume de julho é 278% maior que o verificado no mesmo mês de 2018. No consolidado do ano, a alta é de quase 50%; dados de desmatamento têm causado polêmica no governo e levou à mudança na direção do Inpe

André Borges, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2019 | 19h40

Correções: 07/08/2019 | 17h02

BRASÍLIA – A área desmatada da Amazônia observada em julho pelos satélites atingiu uma área total de 2.254 km². Isso equivale a mais de um terço de todo o volume desmatado nos últimos 12 meses, entre agosto de 2018 e julho de 2019, período em que o volume total do desmatamento chegou a 6.833 km².

Os dados são do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), ferramenta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que serve para orientar ações de fiscalização contra o desmatamento. O volume de 6.833 km² verificado entre agosto de 2018 a julho de 2019 supera em 49,45% o desmatamento medido nos 12 meses anteriores e indica que a taxa oficial de desmatamento da Amazônia, medida por um outro sistema do Inpe, o Prodes, pode trazer uma alta similar.

Em entrevista à Rádio Eldorado na segunda-feira, 5, o próprio ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, reconheceu isso e disse que "é provável" que o Prodes mostre uma alta parecida, como ocorreu nos anos anteriores. Em geral, a tendência indicada pelo Deter, seja de alta ou de baixa, é confirmada pelo Prodes, um sistema muito mais preciso e que "enxerga" muito mais. Mas em geral, também, por causa dessa maior precisão, o número do Prodes é sempre maior que o do Deter.

Para evitar distorções, os números citados acima consideram apenas as três categorias de corte de vegetação que o próprio governo identifica como desmatamento efetivo: desmatamento com solo exposto, desmatamento com vegetação e mineração.

Se observado apenas o desmatamento de julho deste ano, o volume chegou a 2.254,8 km² de devastação, um volume 278% maior que o verificado em julho de 2018, quando foram registrados 596,6 km² de desmatamento.

 
Desde maio, o governo tem desmentido os dados oficias do Inpe, quando o Estado divulgou que os piores índices de desmatamento verificados na última década, com uma média de 19 hectares de vegetação derrubada por hora, o governo passou a confrontar as informações oficiais, colocando em xeque os dados que são divulgados pelo próprio setor público.

A divulgação dessas informações tem incomodado profundamente o governo. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) considerou mentirosos dados divulgados pelo Inpe sobre o aumento do desmatamento da Amazônia. Na última sexta-feira, 2, ele exonerou Ricardo Galvão da chefia do órgão.

O coronel da reserva da Aeronáutica Darcton Policarpo Damião foi escolhido para assumir interinamente o comando do Inpe. O novo diretor efetivo só será escolhido por uma lista tríplice que será montada por comissão. Nesta terça-feira, 06, o ministro da Ciência e Tecnologia, Inovação e Comunicação, Marcos Pontes, afirmou mantém no cargo o novo diretor do Inpe, mesmo se forem confirmados os dados produzidos pelo órgão sobre desmatamento.

Correções
07/08/2019 | 17h02

Ao contrário do informado anteriormente, a alta do desmatamento entre agosto do ano passado e julho deste ano foi de 49,45% em relação aos 12 meses anteriores.

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