Casal de bugios aparece no Horto depois de mortandade

Casal de bugios aparece no Horto depois de mortandade

Ainda não há informações sobre se eles estão saudáveis, mas como vírus da febre amarela ainda circula no parque, pesquisadores não estão otimistas

Giovana Girardi

12 Janeiro 2018 | 18h41

Horto Florestal, onde 67 bugios foram encontrados mortos. Crédito: Tiago Queiroz / Estadão

Um dia depois de o governo estadual anunciar que todos os bugios que habitavam o Horto Florestal morreram contaminados com febre amarela, um casal de macacos apareceu no parque.

Macho e fêmea estavam no alto de uma figueira, se alimentando de frutinhos, em meio ao corredor de mata que liga o Horto ao Parque Estadual da Cantareira, bem em frente a uma estátua de são João Gualberto, considerado o protetor das florestas.

A dupla foi observada quando uma equipe de TV estava no parque justamente para contar a história dos bugios exterminados. “De repente sentimos um cheiro de fezes, olhamos para cima e estavam lá os dois, comendo”, conta Marcio Port-Carvalho, chefe da sessão de animais silvestres do Instituto Florestal.


Port liderou a equipe que encontrou 67 corpos de bugios desde outubro e chegou à conclusão de que todos os 86 animais do Horto haviam morrido. Alguns deles, aliás, exatamente no local onde estava o casal, o que não o deixa muito otimista sobre o futuro dos macaquinhos.

“Infelizmente a gente não tem muita esperança que eles sobrevivam, porque o vírus está circulando, mas vamos monitorá-los”, explica.

Para o pesquisador, há duas possibilidades para a origem desses animais. Pode ser que eles tenham chegado ao Horto vindos da Cantareira ou tenham passado despercebidos durante o monitoramento das últimas semanas.

“Eles estavam se alimentando, o que é um bom sinal, mas não deu para ter certeza se estão saudáveis. Como havíamos encontrado macacos mortos no mesmo local, o risco de eles estarem contaminados é grande”, diz.

Ele afirma, porém, que se os animais tiverem vindo da Cantareira, isso traz uma esperança para o futuro. “Numa futura estratégia de reforço populacional, quando o vírus parar de circular, essa informação poderá ser de extrema importância, pois poderemos ver migração no futuro.”

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