Yvo de Boer se despede do comando da negociação climática ONU com palmas

Seus desgaste dentro de instituição, em parte, ocorreu por falar e aparecer demais

Afra Balazina, de O Estado de S. Paulo - enviada especial a Bonn

09 Junho 2010 | 16h16

Yvo de Boer foi aplaudido de pé nesta quarta-feira ao fazer sua despedida do cargo de secretário executivo da Conferência do Clima da ONU no plenário do Hotel Maritim, em Bonn. No próximo mês, quem assume a função é a costa-riquenha Christiana Figueres.

 

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Ele ficou quatro anos no cargo e sai seis meses após o fracasso da Conferência do Clima ocorrida na Dinamarca, a COP 15.

 

"Copenhague não entregou inteiramente o que se esperava. Há uma profusão de motivos para isso. Mas como o professor Al Sabban (negociador da Arábia Saudita) disse ontem, nós experimentamos desapontamentos antes e avançamos apesar deles. Se não for bem sucedido na primeira vez, tente, tente, tente de novo ", afirmou ele no discurso final.

 

Seus desgaste dentro de instituição, em parte, ocorreu por falar e aparecer demais. Em vez de ter uma posição mais neutra, ele fazia críticas a países que dificultavam a negociação. Espera-se que Figueres seja mais amigável e constranja menos os países.

Além da ironia, outra marca de Boer foi o uso de metáforas para explicar os termos complexos usados nas reuniões de clima da ONU - quando dava entrevistas, costumava fazer comparações e dizia que o objetivo era que até as avós dos jornalistas entendessem.

 

Figueres já mostrou sua versão política ao falar com jornalistas de países em desenvolvimento. Fez questão de mandar cumprimentos aos ministros dos países representados por alguns entrevistadores.

 

Seu pai foi presidente da Costa Rica três vezes.

Ela também tentou ser o menos polêmica possível. Boer disse que não acreditava em metas fortes dos países na próxima década. Questionada sobre isso, ela respondeu que "não colocaria uma data" e que o avanço nas negociações era "gradual".

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