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Visita à Ilha das Couves, em Ubatuba, é limitada a 531 turistas por dia

Após explosão de turismo predatório à ilha com praias paradisíacas, que chegaram a receber mil pessoas de uma só vez, visitação foi limitada a 177 pessoas por cada turno

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2019 | 05h00

SOROCABA – Apenas 531 turistas por dia, divididos em turnos de até 177 pessoas, poderão visitar a Ilha das Couves, que se tornou uma das principais atrações de Ubatuba, litoral norte do Estado de São Paulo. Portaria impondo a restrição foi publicada nesta sexta-feira, 27, pela Fundação Florestal, órgão da Secretaria do Meio Ambiente do Estado. Um estudo concluiu que a ilha comporta no máximo 177 turistas em visita simultânea – cada turno terá duas horas em média.

Até agora, o turismo era feito sem limites e a ilha, localizada na Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte, chegava a receber até dois mil turistas por dia. A Ilha das Couves fica a 2,3 km do litoral, no núcleo Picinguaba do Parque Estadual da Serra do Mar.

Conforme a Fundação Florestal, a regulamentação das visitas visa a garantir a defesa de um patrimônio ambiental ecologicamente equilibrado. A ilha possui duas praias consideradas paradisíacas, a Praia de Fora, com quase 200 metros de extensão, e a pequena Praia da Terra, com apenas 50 metros.

Nos últimos cinco anos, a ilha entrou no roteiro dos barcos e escunas, passando a receber um fluxo intenso de turistas. As prainhas chegaram a ser tomadas por mais de mil turistas de uma vez. A gota d’água foi no réveillon do ano passado, quando entre 4 mil e 5 mil pessoas superlotaram a ilha.

Equipes do serviço ambiental de Ubatuba relataram a coleta de toneladas de lixo. O turismo predatório motivou a atuação do Ministério Público Federal, da prefeitura de Ubatuba e da Marinha, além da Fundação Florestal. Um grupo multidisciplinar elaborou um estudo sobre a capacidade de suporte da Ilha das Couves em maio de 2018.

O estudo foi compartilhado com a comunidade tradicional caiçara de Picinguaba e discutido em duas audiências públicas, em Ubatuba. Prevaleceu a proposta de se criar turnos de visitação, evitando o excesso de turistas em determinadas horas do dia. O território da ilha foi divido entre as comunidades tradicionais e operadores de embarcações, com a demarcação das áreas para embarque e desembarque, bem como a definição dos horários.

As regras já valem para este verão e as embarcações já foram credenciadas. De manhã, das 8 às 11 horas, a Comunidade Picinguaba poderá levar 177 turistas, repetindo o número no horário de almoço, das 11 às 14 horas. À tarde, das 14 às 17, as comunidades da Almada, Estaleiro e Ubatumirim terão direito, juntas, a 108 visitantes. Já as escunas poderão levar 49 banhistas em dois períodos – das 14 às 15h30 e desse horário às 17 – totalizando 98 pessoas. As lanchas poderão desembarcar 60 visitantes à tarde, entre 14 e 17 horas, divididos em três períodos com 20 pessoas cada.

Os barcos definiram o valor de R$ 55 pela viagem de ida e volta. Para ir até a ilha, o turista precisa se deslocar até a Praia de Picinguaba, que fica a 44 km do centro de Ubatuba, em direção a Paraty, no Rio. A portaria não faz restrição a mergulhos, quando realizados sem desembarque. O mergulho, inclusive à noite, é outra atração da ilha, devido à transparência de suas águas.

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