Vírus gigante renasce da tundra gelada da Sibéria

Descoberta sugere que derretimento do solo congelado russo com aquecimento global pode liberar patógenos perigosos a humanos e animais

Geoffrey Mohan, Los Angeles Times

04 Março 2014 | 18h00

Imagem de microscópio mostra o vírus dentro de uma célula de ameba. Crédito: IGS, CNRS-AMU, Julia Bartoli, Chantal Abergel

Um vírus gigante dormente há 30.000 anos na tundra congelada da Sibéria voltou a atividade, provocando receios de que as perfurações de petróleo e a mineração mais intensas em latitudes que vêm se aquecendo rapidamente despertem micróbios que um dia poderão ser nocivos ao homem.

O organismo, descrito na edição online da revista científica PNAS, parece pertencer a uma nova família de megavírus que contaminam apenas amebas. Mas seu ressurgimento num laboratório é "uma prova do princípio segundo o qual podemos ressuscitar vírus infecciosos ativos de diferentes períodos", afirmou o autor do estudo, o microbiólogo Jean-Michel Claverie, da Universidade de Aix-Marseille, na França.

"Sabemos que esses vírus não perigosos estão vivos ali (no permafrost – solo permanentemente congelado), o que nos diz que provavelmente tipos perigosos, que podem infectar humanos e animais e que achávamos que haviam desaparecido da superfície da Terra, na verdade estão presentes, e provavelmente viáveis, no solo", disse Cleverie.

Com o aquecimento global tornando regiões ao norte mais acessíveis, a chance de despertarmos patógenos humanos dormentes aumenta, concluíram os pesquisadores. As temperaturas médias de superfície na área que contém o vírus encontrado aumentaram mais drasticamente do que em latitudes mais temperadas, observaram os pesquisadores.

"As pessoas chegarão e se estabelecerão ali, começarão a perfurar o solo e trabalhar com mineração", disse Cleverie. "As atividades humanas perturbarão camadas de terra dormentes há três milhões de anos e que podem conter vírus."

Chantal Abergel, que trabalhou com Cleverie no estudo, ponderou que, por enquanto, as conclusões estão limitadas a um vírus inócuo que infecta amebas. "Ainda não podemos dizer claramente que existem alguns patógenos humanos lá", afirmou. Segundo Abergel, o grupo vai reexaminar amostras de perfurações "para saber se existe algo perigoso para humanos e animais".

Vírus gigante. Chamado de Pithovirus sibericum, o novo organismo pertence a uma nova família de grandes vírus descoberta há dez anos. Eles são tão grandes que, diferentemente de outros vírus, podem ser vistos ao microscópio. Este, que mede 1,5 micrômetro de comprimento e 0,5 de diâmetro, é o maior já encontrado.

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