Vida nos trópicos pode ser a mais afetada por mudanças no clima

Os ursos-polares talvez tirem deletra. Quem deve sofrer de verdade com o aquecimento global,mesmo que de alguns poucos graus, são as criaturas tropicais,que já vivem em lugares bastante quentes, disseram cientistasna segunda-feira. Isso não significa que os animais polares não devam sentiro impacto da mudança climática, pois é justamente nas maioreslatitudes que o aquecimento neste século deve ser mais intenso,de até 10 graus celsius. Mas, segundo Curtis Deutsch, da Universidade de Los Angeles(Califórnia), há bem menos espécies no Ártico, na Antártida enas zonas temperadas do que nos trópicos, onde muitos animaisjá vivem no limite do calor suportável. Por isso, mesmo o cenário mais ameno previsto para 2100--aquecimento de 3 graus celsius --já poderia provocar aextinção de vários animais, disse Deutsch por telefone. Em pesquisa publicada na revista Proceedings, da AcademiaNacional de Ciências dos EUA, Deutsch e seus colegasinvestigaram o que aconteceria com animais de sangue frio dostrópicos nos próximos cem anos caso as previsões sobre o efeitoestufa estejam corretas. Eles escolheram os animais de sangue frio -- em geralinsetos, mas também sapos, lagartos e tartarugas --porque os desangue quente têm mais possibilidades de adaptação (perdendopêlos, por exemplo). Já para os animais de sangue frio as opções se restringem aatitudes como buscar uma sombra, segundo Deutsch. "Se nada mais acontecer, se eles apenas forem submetidos aoaquecimento e todo o resto do seu meio ambiente permanecerigual, prevemos que suas populações iriam se estraçalhar maisrapidamente", afirmou, referindo-se ao aumento da mortalidade eredução da natalidade nessas espécies. Na opinião dele, a tendência seria que os animais migrassempara lugares mais altos ou temperados, ou então que evoluíssempara resistir ao calor. Caso migrem ou sofram mutações, isso teria um impactoimportante para os humanos que vivem longe dos trópicos, já queos insetos têm um papel particularmente importantes napolinização de lavouras agrícolas e na sintetização de matériasorgânicas. "Os efeitos diretos da mudança climática sobre osorganismos que estudamos parecem depender muito mais daflexibilidade dos organismos do que da quantidade deaquecimento previsto para onde eles vivem", disse o co-autorJoshua Tewksbury, da Universidade de Washington. "As espécies tropicais nos nossos dados eram em geralespecialistas térmicos, o que significa que o seu atual clima équase ideal e que qualquer aumento de temperatura geraráproblemas para eles", disse Tewksbury em nota à imprensa.

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