Athit Perawongmetha/Reuters
Athit Perawongmetha/Reuters

Veterinários removem 915 moedas de estômago de tartaruga marinha

Animal vivia em um tanque na Tailândia, no qual turistas e moradores costumavam jogar os objetos por superstição

O Estado de S.Paulo

06 Março 2017 | 12h55

BANGCOC  - Jogar moedas em fontes para ter sorte é uma superstição popular, mas que quase custou a vida de uma tartaruga marinha na Tailândia, que teve 915 moedas removidas de seu estômago.

Veterinários de Bangcoc operaram nessa segunda-feira, 25, uma tartaruga marinha de 25 anos chamada "Bank", cuja "indigesta dieta" é resultado dos muitos turistas que buscaram fortuna durante anos jogando moedas em seu tanque, localizada na cidade de Sri Racha, na região leste do país. Muitos tailandeses acreditam que jogar moedas em tarturagas traga longevidade.

 

Em média, uma tartaruga marinha vive cerca de 80 anos, de acordo com Roongroje Thanawongnuwech, veterinário da Universidade de Chulalongkorn. A espécie de "Bank" está listada nas ameaçadas de extinção da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla original).

Em "Bank", o consumo de moedas criou uma pesada bolsa de metal em seu estômago, pesando cerca de 5 quilos. O peso causou uma lesão na colun a vertebral da tartaruga, que infeccionou. 

Cinco cirurgiões participaram do procedimento, que durou quatro horas. Como a "bolsa de moedas" era grande demais para ser retirada pela garganta da tartaruga, ela foi anestesiada e submetida a uma incisão de 10 centímetros, da qual foram retirados os objetos, muitos deles corroídos ou parcialmente dissolvidos. 

"O resultado é satisfatório. Agora é a agora de Bank se recuperar", explicou o veteritário Pasakorn Briksawan. Enquanto estiver em recuperação, a tartaruga passará por uma dieta líquida durante duas semanas.

Ela foi levada ao hospital pela marinha, que a encontrou na zona portuária da cidade. Na unidade veterinária, ela foi submetida a um escaneamento 3D, no qual foram identificadas as moedas, além de dois anzóis, que também foram removidos. 

A líder da equipe cirúrgica relatou que ficou furiosa ao saber do diagnóstico de "Bank". "Eu estava muito brava com as pessoas que, intencionalmente ou não, fizeram isso com ela, causando todo esse sofrimento", disse Nantarika Chansue, chefe do centro de pesquisa de animais marinhos da universidade. /AP

 

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