Verba climática está garantida em curto prazo mas não no futuro

Os países ricos estão prestes a cumprir sua promessa de oferecer 30 bilhões de dólares até o final de 2012 para ajudar as nações pobres a enfrentar a mudança climática global.

AGNIESZKA FLAK, REUTERS

01 Dezembro 2011 | 19h12

Mas, durante a conferência climática que começou nesta semana em Durban, na África do Sul, surgiram dúvidas sobre se os doadores conseguirão elevar a ajuda para 100 bilhões de dólares por ano até 2020.

Mais de 190 países participantes da conferência devem subscrever o Fundo Climático Verde (FCV), um mecanismo de longo prazo para a questão climática, mas ainda há dúvidas sobre de onde virá o dinheiro, já que os principais países doadores passam por crises financeiras.

O Japão, de longe o maior doador, liberou até o final de novembro 12,5 bilhões de dólares dos 15 bilhões prometidos para o curto prazo. Cerca de 3,5 bilhões de dólares dessa contribuição vieram do setor privado, e a verba como um todo beneficiou quase 600 projetos em 95 países.

Os Estados Unidos e a União Europeia disseram ter mobilizado 5,1 bilhões e 6,3 bilhões de dólares, respectivamente, nos últimos dois anos.

Mas críticos expressam dúvidas sobre quanto da verba de curto prazo foi efetivamente destinada a medidas de mitigação da mudança climática - investimentos feitos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa -, em vez de medidas de adaptação, que buscam reduzir a vulnerabilidade dos países mais afetados pela alteração climática.

Também há dúvidas sobre se o dinheiro oferecido é realmente uma nova ajuda, ou doações prévias disfarçadas com um novo nome.

"O financiamento de curto prazo teve seus desafios em termos de transparência e em termos de assegurar que o dinheiro era um financiamento novo, adicional", disse um porta-voz de um grupo de países africanos, Seyni Nafo.

Um estudo do Centro Africano de Políticas Climáticas mostra que menos de 2 bilhões de dólares do dinheiro prometido era novo.

O relatório também mostrou que 62 por cento das verbas foram destinadas a projetos de mitigação, 25 por cento para medidas de adaptação, e 13 por cento para esquemas de redução de emissões decorrentes do desmatamento e degradação florestal (REDD).

(Reportagem adicional de Jon Herskovitz e Michael Szabo)

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