Wherter Santana/AE
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Veranistas se unem para preservar a Praia de Iporanga, no Guarujá

Ações incluem reciclagem de lixo e plantio de espécies originárias da Mata Atlântica

Filipe Vilicic, AE

08 Janeiro 2010 | 14h35

A Praia de Iporanga, no Guarujá, litoral sul de São Paulo, é uma enseada tranquila no meio da Serra do Guararu, em uma área preservada da mata atlântica. “Aqui estamos na natureza, em um ambiente agradável e calmo, onde há até trilhas”, diz a consultora paulistana Valéria Pierieri, que tem uma casa de veraneio na região há 5 anos. “Precisamos fazer de tudo para conservar e respeitar esse local, para que ele continue um paraíso.”

 

Com essa motivação, ela e os outros 370 proprietários de casas num loteamento que abrange as Praias de Iporanga, São Pedro e das Conchas investem em ações de preservação ambiental para impedir que a fauna e a flora sofram com interferências humanas. “É preciso ter consciência de que temos delimitar nossas atitudes para não perder esse lugar”, diz a advogada Elisa Cury, de Ribeirão Preto, que também tem um terreno em Iporanga.

 

 

Os proprietários das casas de veraneio (que chegam a custar mais de R$ 20 milhões) têm iniciativas de reciclagem de lixo, reflorestamento e recuperação de mangues. Desde 2007, eles financiam, por meio da Associação dos Proprietários do Iporanga (Sasip), o replantio de árvores de palmito juçara na mata atlântica. As sementes são jogadas de um helicóptero.

 

 

No ano passado, foram espalhados cerca de 660 quilos de sementes dessa forma.

Com o plantio de mudas e o combate às ações de degradação, a Sasip também recuperou um mangue próximo da praia. “Quando cheguei aqui, esse lugar estava cheio de areia e sem animais”, conta o administrador Roberto Nagy, superintendente geral da Sasip há 6 anos. “Depois que começamos a nos preocupar mais com a preservação do meio ambiente,

Conseguimos revitalizar o mangue. Hoje, há garças e outros bichos morando na área recuperada. ”A associação ainda administra dois viveiros que comportam até 15 mil mudas de 50 espécies nativas. “Doamos essas árvores para proprietários plantarem em suas casas ou as usamos no reflorestamento da mata atlântica”, conta o biólogo Ronaldo Justo, gerente de Meio Ambiente da Sasip. Ainda ajuda na preservação o fato de que a maioria dos proprietários respeita as leis ambientais e só constrói em 30% dos terrenos. O restante deve integrar a mata atlântica.

 

“Garantimos que essa regra seja seguida e tentamos convencer os veranistas a também só plantar espécies nativasde árvores e plantas em seus quintais”, conta Justo. “Só há alguns mais antigos, que levantaram suas residências quando não havia fiscalização, que precisam se adequar à lei.”

 

 

Também cabe à Sasip o tratamento de esgoto e água das casas da região (há duas estações destinadas a esse trabalho), além de realizar a coleta seletiva do lixo com dois caminhões – resíduos tidos como perigosos, como baterias e pilhas, são retirados e reciclados por uma empresa contratada para esse serviço. Para investir nessas ações ambientais, a associação utiliza parte da verba de R$ 1 milhão arrecada mensalmente com o condomínio de cerca de R$ 2 mil pago pelos veranistas do loteamento.

 

 

 

Ações externas

 

Além de atuar dentro de Iporanga, a Sasip interfere no entorno da praia. “Não adianta cuidar do meio ambiente se chega um turista e joga lixo na areia, se um morador das comunidades das redondezas depreda a mata atlântica ou se o caseiro não sabe que precisa separar o lixo reciclável do orgânico”, diz o superintendente Nagy.

 

 

São promovidos, por exemplo, passeios pela natureza com alunos de escolas, mutirões de limpeza na estrada na frente do loteamento – onde também são colocados latões de coleta seletiva de lixo– e palestras sobre preservação ambiental para caiçaras e funcionários das casas de veraneio. E com o dinheiro dos veranistas foi construída e organizada uma cooperativa de coleta de lixo reciclável que é administrada por moradores das redondezas.

 

 

O lucro vai para o bolso dos caiçaras. A Sasip ainda regula o acesso às Praias de Iporanga, São Pedro e das Conchas, que é público, aos visitantes. Só podem entrar 180 carros de turistas na região. “Aprovo esse limite”, afirma a psicóloga paulistana Karina Lopes Camargo, que ontem foi com a família passar o dia em Iporanga. “Se lotar demais, terá gente jogando lixo na praia e na mata e a natureza será destruída.”

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