Vazamento de óleo já atingiu costa da Louisiana

Mancha chega a uma ilha perto do delta do rio Mississipi, segundo a Guarda Costeira dos EUA

AE-AP, Agência Estado

30 Abril 2010 | 00h09

Mancha de óleo já ameaça o frágil ecossistema de manguezais da Louisiana

 

VENICE - Parte do óleo derramado no vazamento causado pela explosão de uma plataforma de petróleo no Golfo do México chegou à costa do Estado da Louisiana na noite desta quinta-feira. Atingiu uma ilha perto do delta do rio Mississipi, segundo a Guarda Costeira dos Estados Unidos.

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O vazamento de petróleo no Golfo do México causado pelo afundamento de uma plataforma operada pela empresa BP no dia 22 é cinco vezes maior que o estimado inicialmente e foi considerado ontem pelo governo dos Estados Unidos como uma catástrofe nacional. O presidente Barack Obama ordenou o uso de "todos os recursos disponíveis" para combater o desastre. Cerca de 5 mil barris de petróleo vazam por dia.

Danos ambientais 

 

Há temor de que praias e refúgios de vida selvagem sejam danificados em 4 Estados. Autoridades evitam fazer comparações com o maior vazamento da história dos Estados Unidos, ocorrido em 1989, do navio Exxon Valdez, no Alasca.

 

O governador do estado americano de Louisiana, Bobby Jindal, alertou que uma das primeiras zonas afetadas será a reserva de Pass a L'Outre. A costa americana do Golfo do México é um ecossistema de grande biodiversidade e uma zona da qual depende grande parte da produção pesqueira de mariscos do país.

 

Calcula-se que, se não puder ser contido, quase 100 mil barris de petróleo - pouco mais de 15 milhões de litros - serão despejados no golfo antes que equipes consigam aliviar a pressão que impulsiona o vazamento. Apesar da gravidade do desastre, autoridades evitam fazer comparações com o maior vazamento da história dos Estados Unidos, ocorrido em 1989, do navio Exxon Valdez no Alasca.

 

Obama afirmou nesta quinta-feira que recebe informações constantes sobre o vazamento e que "enquanto a BP é a responsável final pelo financiamento do custo das operações de resgate e de limpeza, minha administração continuará a usar todo recurso disponível", incluindo o Departamento de Defesa. A secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano, afirmou que "é um vazamento de importância nacional", o que sugere a colaboração de outros Estados no combate ao desastre.

 

 

 

 

Napolitano, o secretário do Interior, Ken Salazar, e a administradora da Agência de Proteção Ambiental (EPA, em inglês), Lisa Jackson, acompanharão os trabalhos na região do golfo. Também foi anunciado que será aberto um centro de comando federal na cidade de Mobile, no Alabama, para monitorar as ações de combate ao vazamento em conjunto com outra unidade em funcionamento em Robert, Louisiana. "Estamos sendo muito agressivos e preparados para o pior", afirmou uma fonte da Guarda Costeira. Na Louisiana, o governador Bobby Jindal declarou estado de emergência.

 

A crise começou no dia 20, quando a plataforma Deepwater Horizon explodiu, matando pelo menos 11 pessoas de uma equipe de 126. Dois dias depois, a plataforma afundou e o petróleo começou a vazar. As causas da explosão e dos vazamentos ainda estão sendo investigadas.

 

Combate

 

Mais de mil pessoas em 76 embarcações estão envolvidas no combate ao vazamento. Parte da mancha de petróleo foi queimada ontem para reduzir o impacto ambiental, mas outra ação do tipo, prevista para hoje, foi adiada por causa das condições atmosféricas.

 

A Guarda Costeira também afirma que não há sinais de aves marinhas ou outros exemplares de vida selvagem afetados. A EPA, que deve assumir as operações de limpeza assim que a mancha atingir a costa, diz que se prepara para monitorar a qualidade do ar e da água na região.

 

Segundo senadores, o tema de exploração de petróleo no mar deve entrar no debate da legislação climática do país.

 

(Atualizada às 08h45) 

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