USP vai erradicar palmeiras australianas

Trazidas há 20 anos com fins ornamentais, as palmeiras ameaçam a reserva da Faculdade de Biologia

Karina Ninni, Especial para O estado

22 de fevereiro de 2011 | 22h03

Hoje e amanhã a Universidade de São Paulo promove palestras de conscientização para iniciar a erradicação de uma palmeira australiana. Introduzida com fins ornamentais há cerca de 20 anos, ela ameaça a reserva nativa da Faculdade de Biologia, que guarda uma amostra de Mata Atlântica de Planalto.

O projeto, adiado há anos, vai sair do papel. Está orçado em R$ 300 mil. "Vamos retirar 6 mil palmeiras adultas de uma área de 20 hectares", diz Márcia Regina Mauro, diretora do Serviço Técnico de Gestão Ambiental da Coordenadoria do Câmpus da Capital. "Mas temos de informar as pessoas, que ignoram o assunto e podem pensar que estamos depredando o câmpus."

"As espécies que hoje causam estragos foram introduzidas sem protocolo ou plano de manejo. E o pior é que continuamos fazendo isso, com novas e velhas espécies invasoras", alerta Sílvia Ziller, do Global Invasive Species Program.

Ela cita os casos da braquiária e da algaroba. "A braquiária foi trazida para alimentação de gado e em alguns lugares é semeada por meio de avião", diz Sílvia. A espécie que chegou ao Brasil é nativa da África do Sul.

Já a algaroba vem causando estragos na Caatinga, onde acaba com a pouca água que encontra. "Na África, comunidades nômades pastoris estão perdendo pastagens e plantéis porque a fava que ela produz tem uma toxina que, ingerida pelos animais, provoca perda de dentição e morte por inanição."

A prevenção é o melhor remédio contra as espécies exóticas invasoras, dizem especialistas.

Mesmo sem ser um deles, Alex Carneiro, morador do condomínio Pedra de Itaúna, no Rio, procurou ajuda ao perceber que o número de saguis havia crescido no local. "Os pássaros estavam diminuindo e os saguis, aumentando", diz Carneiro, que entrou em contato com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

A ecóloga Helena Bergallo atendeu ao chamado. "O Estado do Rio está infestado por duas espécies que não são nativas: o sagui-do-nordeste e o sagui-do-cerrado." Além de competir com uma espécie nativa, eles comem ovos e filhotes de pássaros. "Temos um sagui da região serrana. E estamos perdendo essa espécie geneticamente, pois as invasoras podem cruzar com a nativa e formar híbridos." Helena diz que os invasores chegaram por meio de tráfico de animais. "Tentaremos castrar os machos para ver se conseguimos frear a invasão no condomínio."

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