Usiminas compra maior passivo ambiental do País por R$ 72 mi

Terreno da Ingá Mercantil fica em Itaguaí, Rio, e a empresa será obrigada a descontaminar a área

Felipe Werneck, Agência Estado

27 Junho 2008 | 15h40

A siderúrgica Usiminas arrematou nesta sexta-feira, 27, por R$ 72 milhões o terreno da Ingá Mercantil, em Itaguaí, no sul do litoral fluminense, que é considerado um dos maiores passivos ambientais do Estado. Trata-se de um lago tóxico com 390 mil metros cúbicos de efluentes líquidos, abandonados pela empresa em 1998, quando houve a falência, que ameaçam vazar na Baía de Sepetiba. A Usiminas ficará obrigada a descontaminada a área, segundo o edital do leilão, mas ainda não há prazo definido nem garantia de recursos.   Inicialmente avaliado em R$ 120 milhões, o terreno de 968 mil metros quadrados não recebeu o lance mínimo. A venda à Usiminas, que ofereceu 60% do valor, foi autorizada pelo representante do Ministério Público na massa falida, José Marinho Paulo Junior. Outra tentativa de venda já havia fracassado, em abril.   A contaminação abrange 260 mil metros quadrados do terreno e o principal poluente é o zinco, que era produzido pela indústria química. O diretor industrial da Usiminas, Omar Silva, disse no leilão que o terreno será destinado à construção de um porto para exportação de minério de uma mina recentemente adquirida pela empresa em Minas Gerais.   Segundo ele, porém, ainda não há compromisso da siderúrgica com nenhuma empresa para o início do processo de descontaminação. "Estamos conscientes dos problemas ambientais que existem no local e iremos analisar a melhor solução para que possamos utilizar essa área sem nenhuma interferência", declarou.   O administrador judicial da Massa Falida da Ingá , Jarbas Barsanti, admitiu que o valor não foi o ideal e que ainda há preocupação em relação ao processo de descontaminação. Ele disse, porém, que foi o melhor que se conseguiu para resolver passivos trabalhistas e pagar as indenizações a pescadores da região. "O quadro dos credores é de R$ 127 milhões, veremos como iremos pagá-los. Estarei acompanhando o caso até o encerramento da falência e atento à solução definitiva de descontaminação do local, que fica à cargo da Usiminas", declarou Barsanti.   Os efluentes que formam o lago tóxico ficaram a céu aberto sem qualquer controle ou monitoramento de 1998 a setembro de 2007, quando houve uma parceria entre o síndico da massa falida da Ingá e o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB). Foi instalada uma barreira hidráulica para contenção do fluxo do lençol freático e criado um sistema de monitoramento da área.   Um projeto foi realizado por técnicos da Pontifícia Universidade Católica do Rio e pela Coordenação dos Programas de Pós Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). A despoluição foi orçada em R$ 40 milhões e previa o "envelopamento" de resíduos tóxicos, para impedir a contaminação do solo e da água.  

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