Um quinto dos créditos de carbono da ONU pode ser fraudado--WWF

Um de cada cinco créditos para emissãode carbono fornecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU)dará apoio a projetos de energia limpa que podem, na verdade,aumentar a produção de gases do efeito estufa, afirmou naquinta-feira o grupo ambientalista WWF. A ONU administra um mecanismo criado pelo Protocolo deKyoto e por meio do qual os países ricos podem investir emprojetos de energia limpa dentro de países em desenvolvimento ereceber, em troca, créditos certificados de redução de emissões(CERs). Esses créditos são usados para abater suas própriasemissões. Mas o WWF disse, em um relatório, que os CERs estão sendoconcedidos para projetos que teriam sido implantados de todaforma e que não contariam com o incentivo adicional resultanteda aprovação deles pela ONU em meio ao esquema, conhecido comoMecanismo de Desenvolvimento Limpo (CDM). O relatório, preparado pelo Instituto Oeko para EcologiaAplicada, da Alemanha, disse que os projetos carentes dachamada "adicionalidade" contribuem para aumentar a produçãodos gases responsáveis pelo aquecimento ao fornecer às empresasjustificativas ilegítimas para continuarem a poluir. "Um de cada cinco créditos de redução das emissões vendidodentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo deKyoto carece de integridade ambiental", afirmou o WWF. Segundo a entidade, a questão prejudica o mercado global decréditos de emissão de carbono, que neste ano deve aumentar emmais de duas vezes, para um valor de cerca de 70 bilhões dedólares. "O CDM é uma ferramenta nova e importante. E precisa seraprimorado para atingir suas metas", disse em um comunicadoStephan Singer, diretor da Unidade Européia de PolíticaClimática do WWF. O relatório recomenda melhorias no CDF, um mercado avaliadoem cerca de 5 bilhões de dólares em 2006, segundo dados doBanco Mundial. O aprimoramento dos procedimentos e a intensificação doscontroles por parte dos órgãos encarregados de fiscalizar osprojetos constam das mudanças que o WWF espera ver os governosdiscutirem na conferência mundial sobre o clima a ser realizadana próxima semana em Bali (Indonésia). (Por Michael Szabo)

REUTERS

29 de novembro de 2007 | 13h22

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