Último debate em Cancún começa com avanços

Ambientalistas e delegações receberam bem texto que consolida propostas dos dois últimos dias.

Eric Brücher Camara, BBC

11 Dezembro 2010 | 00h18

Textos precisam ser aprovados por unanimidade na plenária do encontro

Representantes de 194 países começaram a discutir no fim da tarde desta sexta-feira, na reunião das Nações Unidas sobre mudança climática em Cancún, no México, as versões finais de possíveis acordos.

Os textos distribuídos pela presidência do encontro consolidam propostas apresentadas por grupos de países nos últimos dois dias e foram recebidas com algum entusiasmo por delegações e ambientalistas.

A organização não-governamental Oxfam afirmou que o texto "injeta vida nova nas negociações".

O textos ainda precisam ser aprovados por unanimidade na plenária do encontro, em um processo que pode se estender por toda a madrugada.

Um dos rascunhos se refere ao grupo que avalia o Protocolo de Kyoto, que prevê cortes de emissões dos países ricos, inclusive o segundo período do tratado, a partir de 2012, que se transformou na grande pedra no caminho de Cancún.

Japão

Na primeira semana do encontro, o Japão anunciou que não participaria mais do protocolo, ameaçando o futuro da conferência, uma vez que para países em desenvolvimento, Kyoto é considerado fundamental.

A solução apresentada também foi elogiada por reconhecer a necessidade de metas mais ambiciosas que as apresentadas em Copenhague em 2009 e contabilizadas no Acordo de Copenhague, a carta de intenções produzida no encontro.

"No momento, as promessas de cortes de países ricos estão por volta de 7% a 14%. Para chegar a 25% a 40% (como recomendou o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas, IPCC), eles precisam dobrar os seus esforços", afirmou o diretor de políticas climáticas do Greenpeace, Wendel Trio.

O outro texto se refere ao plano de longo prazo de combate às mudanças climáticas incluindo todos os países, inclusive os Estados Unidos, único país rico que não ratificou Kyoto.

Fundo Verde

Entre os principais pontos incluídos neste documento, estão menções à manutenção da elevação da temperatura global a 2ºC, com previsões de revisão desse objetivo entre 2013 e 2015 para 1,5ºC.

O texto também prevê a operação de um Fundo Verde administrado pelas Nações Unidas, com a participação do Banco Mundial como fiador, mas administrado por um grupo de 40 representantes: 25 de países em desenvolvimento e 15 dos países ricos.

O formato usado para apresentar o mecanismo de conservação das florestas apelidado de REDD (sigla para redução de emissões por desmatamento e degradação) também foi bem recebido.

Alguns dos pontos mais polêmicos, o financiamento das ações de REDD - especificamente se os fundos poderão ser provenientes de mercados de carbono ou não - foram adiadas para discussões no ano que vem.

Outras exigências consideradas fundamentais por alguns países e organizações não-governamentais nos projetos REDD, como a defesa de direitos indígenas e da biodiversidade, entre outras, foram incluídas em um anexo ao documento. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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