UE não deveria apoiar biocombustíveis, diz relatório britânico

Para comitê, há dúvidas se produção prejudicará floresta, causará escassez de alimentos e contaminará água

Efe,

21 de janeiro de 2008 | 11h33

O Reino Unido e a União Européia deveriam renunciar à promoção indiscriminada dos biocombustíveis porque causam mais danos que benefícios para o meio ambiente e prejudicam os países mais pobres, segundo um relatório parlamentar britânico publicado nesta segunda-feira, 21.   O comitê de auditoria ambiental acusa em seu relatório o governo de Londres de apoiar os biocombustíveis sem se assegurar que sua produção não prejudicará a floresta tropical, não causará escassez de alimentos nos países em desenvolvimento nem contaminará fontes de água.   Segundo os deputados britânicos, as emissões de CO2 dos veículos a motor podem ser reduzidas mais facilmente com outros métodos menos prejudiciais para o planeta.O comitê defende uma moratória imediata para esse tipo de produção e propõe alternativas mais sustentáveis.   Os deputados britânicos criticam o fato de que o Governo britânico não leve em conta as advertências de importantes cientistas de que alguns métodos de produção de biocombustíveis têm um impacto mais prejudicial sobre o meio ambiente que os combustíveis fósseis tradicionais.   Entre os impactos negativos que identificam em seu relatório estão a energia usada no cultivo, a coleta, o transporte e o processamento das colheitas, a destruição de habitat naturais e das florestas tropicais, e o uso crescente de pesticidas e adubos.   A publicação do relatório coincide com a revisão realizada pela União Européia de sua estratégia sobre a mudança climática, que inclui um conjunto de regras destinadas a reduzir os danos causados pelos biocombustíveis.   A UE reconhece que é improvável que se alcance a meta de que 5,75% do combustível utilizado pelos automóveis que circulam pelas estradas européias sejam de origem biológica até 2010, chegando a 10% até 2020.   Os deputados britânicos reivindicam tanto a seu governo como à UE que se alterem os padrões de produção de biocombustíveis de modo que se apóiem apenas os que representem uma vantagem não só por emitir menos gases do efeito estufa, mas também pelos efeitos sobre a sustentabilidade do planeta.

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