Benoit Doppagne/Efe - 03/12/2009
Benoit Doppagne/Efe - 03/12/2009

UE diz que não há espaço para corte de 30% de CO2 no bloco

Presidente da Comissão Europeia exige que os países desenvolvidos façam 'esforços comparáveis'

Efe,

03 Dezembro 2009 | 14h16

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, estimou nesta quinta-feira, 3, que ainda não existem condições para que a União Europeia aceite passar de um corte de 20% para 30% das emissões de gases do efeito estufa.

 

Veja também:

linkCientista diz que seria melhor fracasso de cúpula sobre o clima

linkMerkel e Lula atuarão por acordo na cúpula de Copenhague

linkÍndia anuncia que reduzirá emissões de CO2 em 20% a 25%

especialO mundo mais quente: mudanças geográficas devido ao aquecimento

especialEntenda as negociações do novo acordo  

 

"A UE passará a uma redução de 30% se outros (países) fizerem esforços comparáveis, mas por enquanto não estamos vendo isto, sinceramente", disse em entrevista Barroso, depois de uma reunião com o presidente do Grupo Intergovernamental para Mudança Climática da ONU (IPCC), Rajendra Kumar Pachauri, e o acadêmico britânico Nicholas Stern, assessor do Governo de Gordon Brown.

 

"Nós fizemos uma oferta unilateral e incondicional, enquanto outros parceiros, incluindo países desenvolvidos, estão fazendo ofertas condicionais e não estão fornecendo sinais claros que podem aprovar a legislação", explicou.

 

Segundo Barroso, "não estamos tão longe, se todos fizerem um esforço de aumento de seus limites, avançaremos em direção a ofertas mais ambiciosas". "Trabalharemos com outros para fazermos propostas concretas e acredito que será possível chegar a um acordo até Copenhague", acrescentou. O presidente da Comissão Europeia insistiu em que o resultado de Copenhague deve ser "um texto simples, compreensível e claro", "politicamente vinculativo para todos os países", incluindo "responsabilidades comuns, mas diferenciadas".

 

Nicholas Stern afirmou que com as sugestões na mesa "só estamos alguns bilhões de toneladas abaixo do que necessitamos". Perguntado a respeito, Stern esclareceu que a redução faltante não poderá ser coberta somente com o corte oferecido pelos países que ainda não se pronunciaram. "É necessário um aumento (nos compromissos de redução) por parte dos países que já indicaram suas intenções e também uma intensificação da luta contra o desmatamento", complementou.

 

Pachauri lembrou que a ciência ressalta a importância de impedir uma elevação da temperatura acima de dois graus para evitar as consequências perigosas da mudança climática. Para alcançá-la, destacou, é necessária uma redução das emissões mais tardar a partir de 2015. "É muito importante que reduzamos uma quantidade significativa de emissões em 2020", comentou.

 

Pachauri considera positivo que sejam acordados objetivos para 2050, mas se querem empreender ações com seriedade e resolver o problema que coloca o aquecimento global, os países devem fazer suas principais reduções até 2020.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.