UE diz é papel dos EUA apresentar um acordo real

Ministros europeus se reuniram para discutir como salvar as negociações pelo clima

REUTERS

22 Dezembro 2009 | 20h54

Cambaleando com o fracasso das negociações de mudanças climáticas na semana passada, os governos europeus declararam nesta terça-feira que a pressão foi transferida agora, sobre os EUA que terão de fazer cortes profundos nas emissões de gases de efeito estufa, o que poderia levar a um acordo global.

 

Andreas Carlgren, Ministro do Meio Ambiente sueco, disse que  "as expectativas e a pressão sobre os Estados Unidos aumentaram depois de Copenhague'' porque "algumas das suas exigências mais importantes foram cumpridas". Carlgren afirmou, após reunião entre líderes dos 27 países do bloco da UE, que os negociadores EUA "podem agora mostrar ao Senado que eles têm um  acordo com a China, Índia, Brasil e África do Sul".

 

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Teresa Ribera Rodriguez, Ministra de Mudança Climática da Espanha, país que vai assumir a presidência rotatória da UE no próximo mês, disse que os EUA devem avançar no compromisso de reduzir as emissões de dióxido de carbono, para coincidir com os objetivos de outras nações.

"O presidente (Barack) Obama se considera um jogador-chave neste acordo de Copenhague e se você for um jogador-chave, você tem de fazer jus a isso e apontar um caminho,''disse.

 

Os EUA, até agora, prometeram um corte muito menor nas emissões de CO2 do que a maioria das outras nações industrializadas - 3% sobre os níveis de 1990. A UE comprometeu-se com 20% e o Japão com 25% sobre o mesmo período de tempo.

 

Ribera disse que o acordo político alcançado na semana passada para manter o aquecimento global em 2ºC foi "insuficiente (com) um longo caminho a percorrer ainda, mas podemos construir sobre ele.'' De acordo com ela, a reunião dos ministros do Ambiente da UE "foi a primeira oportunidade para as nações da UE fazerem um balanço do acordo da semana passada, que ficou muito aquém das suas ambições para um tratado global que lhes permitiria reforçar a redução de emissões para 30%". 

 

Ministros europeus disseram que voltariam a se reunir em Sevilha, em janeiro de 2010, para descobrir como ir para a frente. Ribera reconheceu o fracasso da UE para influenciar as negociações. "Precisamos aprender lições desta COP. Temos de ser capazes de um pouco mais de contundência sobre o que é digno do nosso apoio".

   

 

Carlgren disse que as negociações focaram "principalmente na intransigência de outros países, que não estavam dispostos a assumir compromissos, especialmente os Estados Unidos e

a China.''

   

 

Ele alertou, entretanto, que era muito cedo para a UE a considerar a tributação das importações de países que não se dispuseram a punir os poluidores com custos adicionais.

   

 

Indústrias pesadas, com alto consumo de energia - como a do aço e de produtos químicos - ressaltam que um acordo global não os coloca em desvantagem relativamente a outras regiões, pois eles utilizam o mecanismo de licença de emissões (cap-and-trade).

 

 

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