Marcial Trezzini/AP
Marcial Trezzini/AP

UE alerta emergentes sobre necessidade de cortes em emissões

Em primeira negociação para fechar um texto, emergentes e ricos mostram que impasse não foi superado

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

08 de fevereiro de 2015 | 15h59

GENEBRA - A fase final de negociações para elaborar um texto de um acordo climático começa com um recado duro dos europeus às economias emergentes: todos terão de se comprometer a fazer cortes de emissões para que o impasse seja superado. O alerta foi dado neste domingo pela União Europeia, no primeiro dia de negociações em Genebra entre os governos para definir um texto para a conferência do clima de Paris, em dezembro.

O recado aos emergentes foi dado pela chefe da delegação da UE, Elina Bardram. "A Europa já se comprometeu a reduzir em 40% suas emissões antes de 2030. O restante dos países devem tornar público seus compromissos", indicou. "Não seremos nós que diremos qual deve ser esse compromisso. Mas ele precisa ser real", alertou.

"A UE é responsável por cerca de 8% ou 9% das emissões globais. A China representa 25%. Portanto, acho que fica claro que Pequim também terá de fazer esforços", disse.

Para ela, só haverá acordo se três condições forem preenchidas: que os emergentes publiquem seus compromissos, que se estabeleça mecanismos para controlar esses compromissos e que se crie um mecanismo para que se renda contas das promessas feitas.  

Dinheiro. Entre os emergentes, a posição é de que todos estão dispostos a assumir suas responsabilidades. Mas querem garantias de que o texto do acordo cite explicitamente a necessidade de os países ricos financiarem os ajustes nos emergentes para permitir uma conversão nas emissões de CO2. A ONU estima que o mundo precisará de US$ 100 bilhões até 2020 para medidas de adaptação.

Neste domingo, a delegação da África do Sul falou em nome dos Brics e de uma vasta coalizão de emergentes. O recado também foi enfático e direcionado aos países ricos: chegou a hora de declararem quanto estão dispostos a financiar. "Fizemos concessões nestas negociações. Mas esperamos de nossos parceiros que nos mostram o que estão dispostos a colocar sobre a mesa", declarou a negociadora sul-africano, Nozipho Mxakato-Diseko.

Questionada, a UE evitou a dar detalhes do que está disposta a fazer em termos de financiamento.

Processo. No final de 2014, os 195 países se reuniram em Lima e fecharam um texto de 38 páginas que seria a base de um acordo. Mas, com posições opostas e até contraditórias, o texto inicial precisa começar a ganhar um formato de convenção. Para isso, os negociadores terão três sessões até dezembro.

A primeira, que começou ontem, durará até sexta-feira. O presidente da sessão, o ministro peruano Manuel Vidal fez questão de fazer um apelo para que os governos considerem que um acordo é uma necessidade "urgente".

"Peço que trabalhem com eficiência e com um senso de compromisso", pediu o peruano aos 195 países e lembrando que 2014 foi já o ano mais quente da história. "Peço que encontrem soluções inovadoras. O tempo está contado e cada dia precisa chegar um êxito", alertou. "Não podemos considerar que estamos competindo entre nós", insistiu.

Na prática, os governos querem estabelecer compromissos que permitam que o aquecimento do planeta não ultrapasse a marca de 2ºC. Mas as 38 páginas que servem de base estão repletas de desacordos sobre como atingir essa meta.

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