UE acusa China de defender 'direito humano de poluir'

A atmosfera não liga para de qual país vieram os poluentes, diz enviado europeu em resposta a chinês

07 Outubro 2009 | 13h05

O principal enviado da China às negociações para a mudança climática disse que não é justo esperar que todos os países atuem no combate ao aquecimento global, o que levou a uma troca de palavras inesperadamente ríspida com delegados dos EUA e da União Europeia.

 

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A troca de farpas ocorreu numa entrevista coletiva durante sobre as negociações realizadas em Bangcoc sobre o novo acordo climático que deve ser celebrado em Copenhague em dezembro.

 

O delegado dos Estados Unidos insistiu que os países industrializados, sozinhos, não são capazes de reduzir emissões o suficiente para evitar as consequências mais trágicas da mudança climática.

 

"Se os Estados Unidos se juntarem a outros países do mundo desenvolvido sem as outras grades economias, não resolveremos o problema", disse Jonathan Pershing.

 

Isso levou o chinês Yu Qingtai a indicar que os países desenvolvidos são responsáveis por séculos de poluição e que as emissões per capita da China são apenas um terço das dos países ricos, embora o país já seja o maior poluidor do mundo.

 

Yu então repetiu o argumento que os países em desenvolvimento têm usado há anos - que são vítimas de um problema, o aquecimento global, causado majoritariamente pelos países ricos.

 

"Com toda a justiça, não podemos sentar aqui hoje e falar sobre todo mundo se esforçar", disse ele.

 

Isso fez com que o diretor-geral da Comissão Europeia para o meio ambiente, Karl Falkenberg, reagisse, afirmando que focalizar as emissões per capita não levaria a avanços.

 

"Sabemos que as consequências da mudança climática são, por enquanto, vistas de modo mais dramático no mundo em desenvolvimento, portanto continuar a defender que existe praticamente um 'direito humano'  de poluir, como ouvi de meu colega chinês, não é o melhor jeito  de avançar", disse ele.

 

Ele lembrou que todos os países são poluidores, e que "a atmosfera não liga para de onde essas emissões vêm".

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