Turismo vê potencial em seguro climático para pacotes

Setor ofereceria uma 'garantia de clima perfeito' em Barbados a resorts de esqui prometendo neve profunda

Reuters,

02 Setembro 2009 | 17h34

Os seguros são um recurso subestimado pelo setor turístico para lidar com os riscos da mudança climática, com ofertas que vão de uma "garantia de clima perfeito" em Barbados a resorts de esqui prometendo neve profunda, dizem especialistas.

 

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"Os seguros têm um enorme potencial no turismo", disse à Reuters o presidente de um painel de turismo e clima da Organização Meteorológica Mundial das Nações Unidas (ONU), Daniel Scott, em uma conferência do clima em Genebra, na Suíça.

 

A conferência, que ocorre de 31 de agosto a 4 de setembro, procura ampliar o fluxo de informações climáticas para ajudar os países a se adaptar a alterações como secas, tempestades ou elevação do nível dos mares.

 

Um estudo encomendado pela ONU e conduzido por Scott a respeito de seguros climáticos nos últimos anos inclui o programa de Barbados, que reembolsa os turistas se as temperaturas durante o dia estiverem abaixo de 26 graus Celsius ou se houver mais de 5mm de chuva. Alguns resorts de esqui na Europa e na América do Norte oferecem um reembolso se a precipitação de neve for inadequada.

 

Um evento de golfe da PGA na Carolina do Norte, nos EUA, contratou um seguro contra o excesso de chuva, que afastaria os espectadores. Especialistas dizem que a indústria do turismo é uma das mais sujeitas a mudanças climáticas, que poderão interferir nos padrões de chuvas e aumentar o nível e a temperatura dos mares.

 

O turismo gerou uma receita global de 735 bilhões de dólares em 2006 de acordo com dados da ONU. Algumas ilhas tropicais dependem do turismo para compor metade de seu produto interno bruto. Scott disse ser difícil estimar o valor total dos seguros de turismo, mas que são uma pequena parte do mercado para derivativos do clima, estimados em 32 bilhões de dólares no período 2007-08 e dominados por clientes dos setores de agricultura e energia.

 

Animais

 

Os governos podem ajudar a combater a mudança climática nesses destinos paradisíacos aumentando o investimento em áreas ambientais, incluindo florestas e manguezais, disse um estudo europeu na quarta-feira. O documento ressaltou que os países têm patrimônios naturais de trilhões de dólares que poderiam ajudar a combater o aquecimento global e poupar o investimento em iniciativas industriais para a captura de carbono.

 

"Os sistemas naturais representam um dos maiores aliados inexplorados contra o maior desafio desta geração," afirmou o estudo A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (TEEB, na sigla em inglês), que é parte de um projeto global, a ser publicado no ano que vem.

 

Lançado pela Alemanha e pela Comissão Europeia, o relatório avalia os aspectos econômicos da perda da biodiversidade. O investimento de 45 bilhões de dólares em áreas de proteção ambiental poderia poupar entre 4,5 e 5,2 trilhões de dólares por ano em serviços de origem natural, mais do que o valor dos setores automobilístico, de tecnologia da informação e de aço, disse a jornalistas o ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel.

 

Os cientistas afirmam que a preservação da natureza é crucial no combate à mudança climática, mas advertem que as extinções têm aumentado em razão da atividade humana. As taxas de extinção estão mil vezes mais rápidas do que o seu ritmo natural e três espécies desaparecem a cada hora, mostra a pesquisa. O estudo salientou o papel das florestas em mitigar naturalmente as emissões de CO2 ao absorver cerca de 15 por cento das emissões globais de gases estufa todos os anos.

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