Turismo costeiro e pesca rendem 4x mais do que petróleo nos EUA

Estudo mostra que os recursos dos setores pesqueiro e de turismo chegam a US$ 204 bilhões

NYT

11 Novembro 2010 | 22h28

Um grupo ambientalista americano afirma que o turismo e a pesca nos EUA rendem anualmente US$ 204 bilhões para as economias das regiões costeiras do Pacífico, Atlântico e das margens do Golfo na Flórida. O valor é quatro vezes mais do que o montante anual estimado para o petróleo e para o gás, obtidos de perfurações em alto mar.

 

Realizado pela Environment America, o estudo reduz a intensidade emocional dos discursos ambientalistas contra as prospecçôes em alto mar, através de uma análise com base econômica.

 

"Os números mostram que os recursos potenciais da prospecção não valem o risco" afirma Michael Gravitz, o autor do relatório, referindo-se à possibilidade de outro vazamento, que poderia contaminar recifes de corais próximos da Flórida e as águas do Pacífico, ricas em salmão.

 

"Nossa pesquisa torna claro que praias e oceanos limpos valem muito mais do que a procura pelas últimas gotas de óleo de nossas costas", complementou Gravitz.

 

A análise foi feita, em grande parte, com dados do governo federal sobre o comércio pesqueiro, a renda anual do turismo em áreas costeiras e a pesca recreativa nestas regiões, para posteriormente calcular o impacto econômico de um vazamento de óleo nas redondezas.

 

Depois do acidente da BP em abril deste ano, em que um poço de prospecção explodiu e deixou escapar 200 milhões de barris de petróleo no Golfo do México, o número de reservas em hotéis despencaram e os operadores de barcos fretados para navegar pela costa do Golfo sofreram cancelamento dos serviços em grande escala.

 

O resultado, de acordo com um estudo da Associação de Turismo dos EUA, será um prejuízo de pelo menos US$ 7,6 bilhões para o setor.

 

Algumas semanas antes do vazamento da BP, o presidente americano Barack Obama havia anunciado planos de expansão das prospecções em regiões da costa do Atlântico, do Pacífico e na parte leste do Golfo do México.

 

Líderes da indústria de petróleo e gás argumentam que o valor das commodities só mostram parte do panorama: a análise neglicenciaria os gastos atrelados à atividade de prospecção, dos salários dos trabalhadores do setor em Louisiana e no Texas às tubulações construídas.

 

Outra controvérsia com relação às estimativas governamentais para o petróleo e para o gás também diz respeito aos avanços nas técnicas de prospecção e nos testes geológicos, que podem identificar novos reservatórios subterrâneos.

 

Jack Gerard, presidente do Instituto Americano do Petróleo, afirmou que "explorar e desenvolver as reservas de petróleo nos mares dos EUA pode ajudar a gerar mais de um trilhão de dólares e somar milhares de novos empregos aos 9,2 milhões já existentes na indústria de petróleo e de gás".

 

Ativistas contrários às prospecções baseiam-se na renda do turismo e da recreação em seus argumentos contra a expansão da atividade industrial petroleira, especialmente após o acidente da BP. O senador de New Jersey, Robert Menendez, argumenta que, mesmo que as prospecções sejam barradas nas costas de seu estado, um vazamento no sul do Golfo pode migrar para o norte, ameaçando as praias de New Jersey.

 

Senadores da costa oeste se uniram neste ano para propor um veto à atividade nas águas do Pacífico sob jurisdição federal porque, segundo eles, o risco é muito grande.

 

A senadora Barbara Boxer, da Califórnia, que liderou a proposta, afirmou que 388 mil empregos são relacionados ao turismo californiano, à pesca e ao setor de recreação. "Nós simplesmente não podemos assumir o risco da atividade petroleira na nossa costa magnífica", defende.

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