Tubo é instalado e BP começa a recolher parte de óleo no Golfo

Após três dias de operação e algumas tentativas falhas, robôs conseguiram conectar tubulação ao local do vazamento

Associated Press e Efe

16 Maio 2010 | 16h45

Tubo foi conectado na fenda do vazamento de óleo no Golfo do México (Foto: BP/AP)  

 

HAMMOND - No primeiro progresso significativo em quase um mês de vazamento no Golfo do México, a petrolífera BP anunciou neste domingo, 16, que um tubo de 1,6 km de comprimento foi instalado na fenda de onde o petróleo vaza e direciona parte o fluxo para um navio da companhia.

 

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"O tubo foi conectado com sucesso e está sugando boa parte do óleo no local do vazamento", afirmou Mark Progler, porta-voz da BP. Através de robôs submarinos, os engenheiros da petrolífera conseguiram instalar um tubo de 53 centímetros de diâmetro. A quantidade de óleo que esta sendo recolhida, porém, não foi informada.

  

Durante a madrugada deste domingo, os especialistas da companhia conseguiram colocar um tubo na fenda e capturar petróleo e gás, que foi conduzido à embarcação Discoverer Enterprise. O navio, que é capaz de separar o petróleo, a água e o gás, armazenou o óleo recolhido e queimou o gás.

 

No entanto, o mecanismo parou de funcionar quando o tubo saiu de seu lugar ao enredar-se alguns dos cabos usados na operação, a primeira realizada a essa profundidade. "Os técnicos inspecionaram totalmente o sistema e colocaram o tubo de novo", afirmou a equipe do Governo e a companhia, encarregada de encontrar uma solução para o vazamento.

 

Tentativas

 

Desde sexta-feira a BP estava tentando pôr o tubo na principal fonte de petróleo, com o qual pretende capturar três quartos do vazamento.

 

O encanamento, de uns 10 centímetros de diâmetro, está sendo colocado por robôs submarinos, os quais também instalarão um sistema para injetar metanol na fuga. O objetivo é prevenir a formação de cristais de gás, que poderiam impedir o fluxo dos hidrocarbonetos para a superfície.

 

A BP também está usando produtos químicos na fonte do petróleo para diluí-lo em pequenas gotas, o que facilita sua absorção por microorganismos marítimos. Doug Suttles, chefe de operações da companhia, disse no sábado em entrevista coletiva que o procedimento "parece estar funcionando", já que se reduziu o volume de petróleo na superfície.

 

"Barreiras" de petróleo

 

No entanto, um grupo de cientistas afirmou hoje que esse procedimento pode ter dado lugar a enormes colunas de petróleo que se encontram sob a superfície do Golfo do México, ao atrasar a ascensão do petróleo à superfície.

 

As colunas não são visíveis nas imagens de satélite que o Governo para usou para avaliar o volume de petróleo que sai do poço, o que poderia indicar que o vazamento é maior que o calculado oficialmente.

 

Uma dessas acumulações de petróleo tem uma extensão de 16 quilômetros de comprimento por cinco quilômetros de largura, segundo os especialistas, que trabalham desde a embarcação de investigação Pelican.

 

Risco ao meio ambiente

 

O nível de oxigênio em algumas áreas próximas às colunas caiu em 30% e segue descendo, de acordo com seus cálculos, o que põe em perigo a vida marinha da região.

 

O óleo escapa para o Golfo do México desde o dia 20 de abril, quando uma explosão destruiu a plataforma petrolífera Deepwater Horizon e matou 11 trabalhadores.

 

O Governo dos Estados Unidos calcula que saem uns cinco mil barris de petróleo por dia do poço, mas alguns cientistas que analisaram as imagens do vazamento asseguram que o volume real poderia encontrar-se entre os 25 mil e 80 mil barris diários.

 

Além da fuga principal existe uma fonte secundária no solo marinho pela qual sai uma quantidade menor de petróleo e da qual a BP se ocupará posteriormente. Ao mesmo tempo, a companhia está perfurando um poço alternativo para pôr um fim permanente ao problema, mas que ainda demorará meses para ser terminado.

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