Governo da Bahia
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Tropa vê tarefa de limpar óleo das praias como responsabilidade comunitária

Presidente em exercício Hamilton Mourão anunciou nesta segunda-feira, 21, o uso das Forças Armadas para a limpeza

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2019 | 06h00

Foi boa a primeira reação da tropa do Comando Nordeste, eventualmente envolvida na missão de apoio à recuperação das praias atingidas pelas manchas de óleo, como anunciou o presidente em exercício Hamilton Mourão nesta segunda-feira, 21. Para um oficial da 10ª Brigada de de Infantaria Motorizada, de Recife, a primeira a ser mobilizada para esse compromisso , o trabalho é parte das extensões comunitárias das forças armadas, "uma tarefa parecida, embora mais ampla, com a do provimento da infraestrutura das eleições ou do apoio nas campanhas de vacinação", disse ao Estado

O militar considera, sim, "um desvio de função", outro tipo de operação, como o envio de efetivos para guarnecer presídios e revistar celas de presos rebelados, atribuição recebida com desagrado em 2017. O uso do Exército na emergência ambiental vai empregar até 5 mil homens e mulheres, mais equipamentos -- veículos e máquinas pesadas, provavelmente da área de engenharia. É um esforço diferente, por exemplo, do combate aos focos de incêndio na floresta amazônica, em agosto, quando o Ministério da Defesa teve de reagir depressa diante de uma decisão inesperada do governo. Os militares receberam instrução básica para enfrentar o fogo de grandes proporções na mata tropical.

 Na área operacional dos três comandos -- Marinha, Exército e Aeronáutica -- o fator de irritação é decorrente da sensação de que as forças podem ser destinadas para todo tipo de ação, da repressão ao tráfico multinacional de drogas ao controle dos oito complexos de favelas do Rio de Janeiro; um deles, o da Maré, com cerca de 130  mil habitantes. Orientados pela regra da disciplina e da fidelidade à hierarquia, os militares tratam de cumprir as ordens. Entretanto, nem sempre dispõem dos recursos, preparo e treinamento adequados. 

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, visita nesta terça-feira, 22, e na quarta, 23, o litoral atingido pelo derramamento de petróleo em Pernambuco e na Bahia. O mapa da onda negra somava até essa segunda 65 ocorrências graves em praias de 9 estados do nordeste.  

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