Tribo nômade fotografada na Amazônia peruana

Descoberta aumenta críticas a planos de licitação de exploração de petróleo na área

Terry Wade e Marco Aquino , Reuters

28 de setembro de 2007 | 16h19

Pesquisadores fotografaram uma tribo nômade pouco conhecida na Amazônia peruana, descoberta que pode aumentar o debate sobre a presença de tribos indígenas isoladas na floresta, que está sob a mira da exploração de petrolíferas.                                  Os índios, que carregavam flechas e moravam em cabanas de folha de palmeira, nas margens do rio Las Piedras, foram avistados na semana passada por cientistas que sobrevoavam o parque nacional do Alto Purus, perto da fronteira com o Brasil, para procurar madeireiros ilegais.                                   "Vimos os índios por acaso. Havia três cabanas e cerca de 21 índios - crianças, mulheres e jovens", disse Ricardo Ron, cientista florestal do Instituto Nacional de Recursos Naturais peruano.                                   Hon afirmou que um grupo indígena que usava o mesmo tipo de cabana foi avistado na região nos anos 1980, e grupos ativistas disseram que eles pareciam fazer parte da tribo Mascho Piro.                       O governo do Peru está incentivando empresas estrangeiras a procurar petróleo na floresta, iniciativa que sofre forte oposição de grupos ambientais e defensores dos direitos dos índios.                  Acredita-se que haja comunidades indígenas isoladas nas regiões que estão sendo leiloadas pelo governo peruano para a prospecção de petróleo. "O governo peruano está promovendo ativamente a exploração de petróleo e gás natural em áreas onde vivem tribos sem contato com a sociedade", disse David Hill, pesquisador do grupo Survival International, com sede em Londres.                                   A organização estima que até 15 tribos isoladas existam no Peru - o maior número depois do Brasil e de Papua, na Indonésia.                                   A estatal peruana de petróleo, PetroPeru, afirma considerar essas tribos seguras, já que vivem em áreas de reserva, que não fazem parte dos leilões para a exploração de petróleo. Mas o presidente da empresa, Daniel Saba, foi criticado este ano por ter chamado de "absurda" a idéia de que haja tribos escondidas.                                   Os ativistas dizem que as tribos nômades entram e saem dos parques nacionais dependendo da estação, e que a exploração de madeira ou de petróleo pode expô-las a doenças mortais. No passado, as doenças dizimaram populações indígenas na Amazônia.                                   A documentação desses grupos isolados é difícil, porque algumas tribos se embrenham ainda mais na mata ou se mudam depois de encontrar forasteiros. "Vários grupos provavelmente fizeram uma opção consciente de se esconder e de não criar relações de longo prazo com estranhos", disse Suzanne Oakdale, professora de antropologia da Universidade do Novo México.                                   "Muitas vezes, 'tribos sem contato' significa 'sem contato com uma instituição do governo', mas os grupos têm históricos antigos com outros povos", disse ela.

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