Trabalho voluntário e amor aos animais salvam espécies atingidas pelo fogo no Pantanal

Trabalho voluntário e amor aos animais salvam espécies atingidas pelo fogo no Pantanal

Região já teve área de quase 600 mil hectares atingidos pelo fogo

Bruna Pinheiro, especial para o Estadão

11 de setembro de 2020 | 17h00

CUIABÁ - Em meio a uma das maiores tragédias ambientais já registradas no Pantanal, a solidariedade e o trabalho voluntário têm conseguido resgatar alguns dos poucos animais encontrados com vida na região. Lançada pela ONG Ampara Animal e a Ampara Silvestre, a campanha “Pantanal em chamas” reúne médicos veterinários e voluntários para o trabalho de resgate, deslocamento de água, alimentos e animais para tratamentos e cirurgias. A ação já conta com o apoio de mais de oito mil colaboradores nas doações em dinheiro.

Presidente da Ampara Animal, Juliana Camargo relata que as cenas vistas pelas equipes de voluntários no Pantanal chocam tanto pela destruição do meio ambiente como pelas milhares de mortes de animais. Ela conta que cerca de 90% das espécies atendidas e resgatadas apresentam quadros de queimaduras severas. Por tratar-se de animais silvestres, o tratamento encontra dificuldades pela necessidade de curativos diários, imobilizações e sedações. 

"O Pantanal abriga a maior concentração de onças pintadas por metro quadrado do mundo. E infelizmente, encontramos várias delas com patas e partes dos corpos queimados. Sem a possibilidade de locomoção, estes animais acabam morrendo antes mesmo de conseguirmos chegar até eles. É uma tristeza enorme ver o que está acontecendo no Pantanal e ainda não termos a dimensão desta tragédia. São danos irreparáveis para o planeta", acrescenta Juliana.

Com uma meta de arrecadar R$ 550 mil para o custeio com medicamentos, alimentação, procedimentos clínicos, combustível e despesa com veículos e hospedagem, entre outros gastos, o financiamento coletivo lançado pela Ampara já alcançou mais de R$ 544 mil em recursos. Até que o valor seja repassado à ONG para cobrir as despesas, o trabalho vem sendo pago com recursos próprios, parcerias e ações voluntárias. 

"É irônico que quem está na linha de frente deste trabalho sejam as ONGs, que foram tão criticadas por governantes. Não temos estrutura para fazermos tudo o que é necessário e poderíamos contar com o apoio do Exército, da Marinha e outras instituições, o que não chegou até hoje", critica.

De acordo com um estudo divulgado pelo Instituto Centro de Vida (ICV) no início de setembro, as queimadas já consumiram cerca de 1,7 milhão de hectares de todo o território de Mato Grosso. Somente a região do Pantanal teve sua área atingida em quase 600 mil hectares.

Estrutura – Desde que os primeiros médicos veterinários e voluntários da Ampara Animal se deslocaram de São Paulo para Mato Grosso, a entidade busca parcerias com órgãos estaduais para potencializar o trabalho de resgate e atendimentos. 

Atualmente, a ação conta com duas estruturas improvisadas que recebem os resgatados, sendo uma na Pousada Jaguar Ecological Reserve, em Poconé (MT), e outra na base do Corpo de Bombeiros no km 17 da Transpanteira. O trabalho é coordenado pelo Comitê do Fogo da Secretaria de Estado do Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT).

Na próxima terça-feira (15), a presidente da AMPARA Animal, Juliana Camargo, retorna a Cuiabá (MT) para firmar um convênio com o Hospital Veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso (HOVET-UFMT), que deve resultar na implantação de um centro cirúrgico que possa receber animais resgatados. Até o momento, o estado não possui unidades neste formato e por isso não tem recebido as espécies atendidas.

Doações: Quem quiser contribuir com o financiamento coletivo da AMPARA Animal pode realizar doações pelo site Vooa. O valor mínimo é de R$ 25 para pagamentos em boleto bancário ou cartão de crédito e R$ 40 pelo Paypal.

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