Trabalhadores voltam para tentar resfriar reatores

Imparedor Akihito faz raro comunicado à nação; polícia vai tentar esfriar combustível com canhão d'água usado para conter tumultos

16 de março de 2011 | 12h15

A crise nuclear japonesa agravou-se nesta quarta-feira, com o anúncio de que o depósito de combustível atômico do reator 3 do complexo de Fukushima apresenta rachaduras. Ontem, um problema semelhante foi descoberto no terminal 2. A Tokyo Eletric Power Co. (Tepco), responsável pela usina, disse que o resfriamento do reator 3, movido a plutônio, é a "prioridade" para evitar um desastre de proporções maiores.

 

De acordo com o chefe de gabinete do governo japonês, Yukio Edano, a ruptura pode ter causado a nuvem de fumaça branca vista sobre o complexo no começo do dia (noite de terça no Brasil). Os níveis de radiação subiram e os 50 trabalhadores que lutavam para resfriar os reatores foram retirados da usina. No final da noite (manhã de hoje em Brasília), a contaminação caiu e os técnicos - agora 180 deles - voltaram ao complexo.

 

A interupção dos trabalhos custou um tempo precioso na luta para previnir um desastre nuclear, ápice de uma crise iniciada na semana passada pelo terremoto devastador e o tsunami que pulverizaram a costa nordeste do Japão e mataram mais de 10 mil pessoas.

 

Não se sabe ao certo o que aconteceu com superaquecimento dos reatores na usina nuclear de Fukushima Dai-ichi depois que os trabalhadores pararam de bombear água do mar na tentativa de resfriar as barras de combustível. Fontes oficiais deram apenas informações esparsas sobre os reatores.

 

A uma certa altura, a rede nacional de TV NHK mostrou helicópteros militares decolando para elevar os níveis de radiação acima do complexo, preparando-se para despejar água sobre os reatores em um esforço desesperado para resfriá-los. O ministro da defesa disse depois que os sobrevôos eram apenas uma manobra e que o não tinham a intenção de despejar um agota d'água sobre a usina.

Em um sinal de desespero, a polícia afirmou que iria tentar esfriar o combustível nuclear em um dos reatores com um canhão d'água usado normalmente para conter tumultos.

"A ansiedada e a raiva que as pessoas estão sentindo em Fukushima chegaram à temperatura máxima", disse o prefeito da cidade, Yuhei Sato, em uma entrevista para a NHK. Ele criticou as preparações para evacuação somente se as condições piorarem e disse que os abrigos para onde as pessoas que viviam pero da usina se mudaram já não têm comida o suficiente e não consegue antender às necessidades básicas das pessoas.

A crise nuclear acionou o alarme internacional e já ofuscou a tragédia humana causada pelo terremoto de sexta-feira, de magnitude 9.0, e o tsunami subsequente. O terremoto foi um dos mais fortes da história.

Milhões de pessoas estão lutando para sobreviver ao quinto dia da catástrofe com pouca comida. água e aquecimento, sendo que as temperaturas frias já se transformaram em neve em muitas áreas. A polícia diz que mais de 452 mil pessoas estão em abrigos temporários. Oficialmente, o número de mortos é de 3.700, mas as autoridades acreditam que ele deve ultrapassar as 10 mil pessoas já que alguns milhares estão listados como desaparecidos.

Em um comunicado (acontecimento extremamente raro), o imperador Akihito expresou suas condolências e clamou para que o país não desista.

 

"É importante que cada um de nós compartilhemos os dias difíceis que estão por vir", disse Akihito, de 77 anos, uma figura muito respeitada no país. "Eu rezo para que tomemos conta uns dos outros e possamos superar essa tragédia."

Ele expressou suas preocupações com a crise nuclear, afirmando: "Com a ajuda dos encarregados dessa área eu espero que as coisas não ficarão piores."

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