Texto de Copenhague propõe corte de metade das emissões até 2050

O mundo deve reduzir pelo menos à metade as suas emissões de gases do efeito estufa até 2050, em comparação aos níveis de 1990, e os países ricos devem liderar esse processo, segundo o primeiro esboço da declaração final da conferência do clima de Copenhague, apresentado nesta sexta-feira.

REUTERS

11 Dezembro 2009 | 10h36

"As partes devem cooperar para evitar uma perigosa mudança climática", diz o texto, proposto pelo maltês Michael Zammit Cutajar, que preside as negociações sobre as medidas de longo prazo a serem tomadas por todos os países, como parte da conferência de 7 a 18 de dezembro, que discute as linhas gerais de um novo tratado climático global.

A proposta oferece vários níveis de reduções globais das emissões de gases do efeito estufa, especialmente pela queima de combustíveis fósseis, que podem ser de 50, 85 ou 95 por cento até 2050. Mais de 110 líderes mundiais devem discutir o assunto na cúpula de encerramento do evento, no dia 18.

Os números aparecem entre colchetes, significando que ainda não há acordo a respeito.

"As partes deveriam reduzir coletivamente as emissões globais em pelo menos (50/85/95) por cento em relação aos níveis de 1990 até 2050, e deveriam assegurar que as emissões globais continuem a declinar a partir de então", diz a proposta.

Para os países ricos, o texto sugere uma redução de 75 a mais de 95 por cento, sempre para o período 1990-2050.

A proposta também contempla uma meta intermediária para 2020, que pode ser da ordem de 25-40 por cento, ou até mesmo de 45 por cento, sempre em relação aos níveis de 1990.

China, Índia, Brasil e outros países emergentes relutam em aceitar a meta de redução global das emissões pela metade até 2050, por temerem que isso restrinja o seu crescimento econômico. Por isso, exigem metas mais ambiciosas dos países ricos.

O texto diz que os países em desenvolvimento deveriam fazer um "desvio substancial" para reduzir o crescimento das suas emissões até 2020, ou que reduzam esse aumento em 15-30 por cento em relação aos níveis atualmente previstos.

(Reportagem de Alister Doyle)

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