Temperaturas de 2015 já quebram recorde histórico

Aquecimento médio da temperatura da Terra foi 0,87ºC acima da média registrada no século 20, superando o ano de 2014, que já havia sido o mais quente; na Europa Ocidental, inverno ainda não chegou

Andrei Netto, Paris

28 Dezembro 2015 | 12h06

PARIS - A temperatura média da Terra entre janeiro e novembro de 2015 bateu todos os recordes históricos, segundo relatório publicado ontem por três organismos de referência no tema – a Agência Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA), a Agência Espacial Americana (NASA) e o Escritório Meteorológico Britânico (Met Office). O novo balanço da temperatura ainda é parcial, porque não inclui os dados de dezembro, mas já confirma o fenômeno. Nos 11 primeiros meses do ano, a temperatura média foi 0,87ºC maior do que os 14ºC da média do século 20.  Os dados confirmam uma estimativa já divulgada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Trata-se do ano mais quente desde 1880, ultrapassando o de 2014 em 0,14ºC, e, claro, superando também os anos de 2010, 2013, 2005 e 2009, que figuravam entre os mais quentes da história. Nada menos de 14 dos 15 anos mais quentes registrados desde que as observações tiveram início foram verificados no século 21. O único que não pertence aos anos 2000 foi o de 1998, quando o fenômeno El Niño elevou as temperaturas globais, assim como acontece em 2015.

Dos 10 meses mais quentes verificados desde o século 19, oito correspondem ao ano que chega agora ao fim. E dezembro se anuncia semelhante. A título de ilustração, em Paris a noite de Natal registrou 10,9ºC, a maior temperatura desde 1997, enquanto em Nova York os termômetros chegaram a 22ºC em 24 de dezembro.

A elevação média não significa que o calor tenha sido uniforme no planeta. Em diferentes regiões da Terra a temperatura foi mais baixa do que o normal, como aconteceu na Antártida ou ainda no mês de outubro na Argentina, um dos mais frios já verificados no país. Já em outras partes do globo, como o oeste da América do Norte, a América do Sul – a exceção da Argentina –, a África e as regiões sul e leste da Europa e da Ásia foram marcados por temperaturas mais elevadas do que as médias. Esses foram os casos da China e da Rússia, dois países em que a média entre janeiro e outubro foram as mais elevadas em 2015. O fenômeno é ainda mais pronunciado nas calotas do Polo Norte, onde a temperatura em 2015 foi de 3ºC mais alta do que em 1900, quando as medições começaram.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), os recordes do ano têm relação direta com das ondas de calor verificadas na Índia e no Paquistão, no Norte da África, na Europa e no Oriente Médio, assim como chuvas recordes e secas verificadas em países como o Brasil.

Em 2015, a explicação mais evidente para a elevação média da temperatura foi a ocorrência do El Niño, fenômeno que causa o aquecimento das águas do Oceano Pacifico, na costa do Equador e do Peru. Segundo Météo-France, o serviço meteorológico nacional da França, o El Niño chegou ao seu auge em novembro. "O evento em curso no Pacífico Equatorial está agora em sua plena maturidade", diz a nota do instituto, afirmando que o fenômeno em curso é nível comparável ao de 1997-1998, até aqui o mais intenso observado pelo menos desde os anos 1950. "Nessa zona, a anomalia da temperatura da superfície do mar ultrapassou temporariamente os 3ºC no final do mês de novembro e ficou em média 2,9ºC mais elevada durante o mês."

Mas, para o instituto, o El Niño não explica a sequência de anos quentes verificada até aqui. Para os engenheiros do serviço francês, trata-se de um pico de calor no conjunto de um processo de aquecimento global mais longo, devido à ação do homem. Para enfrentar as mudanças climáticas, delegados governamentais de 195 países aprovaram em 12 de dezembro o Acordo de Paris, que visa limitar o aquecimento médio da temperatura da Terra em até 2ºC – 1,5ºC se possível – até o final do século.

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