Tecnologia retira dejetos tóxicos do canal do fundão

O canal separa o continente da Ilha do Fundão, onde fica o câmpus da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Marcelo Auler, AE

14 Abril 2010 | 12h55

Com a utilização de uma técnica inédita no Brasil, mais de 400 mil metros cúbicos de dejetos contaminados com metais pesados retirados do Canal do Fundão estão sendo ensacados para servirem de base a uma área de 10 mil metros quadrados que será totalmente reurbanizada.

O canal separa o continente da Ilha do Fundão, onde fica o câmpus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), perto da Linha Vermelha e da Avenida Brasil, as duas principais vias de acesso à cidade.

A técnica adotada para ensacar os dejetos utiliza um material sintético de grande resistência, comum em atividades de engenharia, conhecido como geotextil. Os sedimentos contaminados retirados do fundo do canal, a uma profundidade de até 4,25 metros, são misturados a um polímero (produto químico usado nas estações de tratamento de água) e bombeados para sacos com 40 metros de comprimento e 2,4 metros de diâmetro, que ficam estendidos em áreas impermeabilizadas com brita e argila.

O polímero aglutina os dejetos contaminados, mantendo-os nos sacos enquanto a água é filtrada. Os dejetos secos sedimentam-se e ficam duros como rochas. Em cima deles se fará o projeto urbanístico.

A área reurbanizada ficará numa espécie de platô formado por três desses sacos empilhados, 7,2 metros acima do nível da água. Além de embelezar a região, formará uma proteção para a universidade, que fica no campo de visão do Complexo da Maré, local onde por vezes há tiroteios, do outro lado do canal.

A retirada dos sedimentos contaminados faz parte do projeto de recuperação ambiental dos 6,5 quilômetros de todo o canal. Uma grande quantidade de lixo já está sendo retirada e encaminhada para um aterro sanitário em Nova Iguaçu. A despoluição do Canal do Fundão terminará com o mau cheiro sentido por quem chega à cidade pela Linha Vermelha, via que liga o Aeroporto Internacional Tom Jobim à zona sul da cidade.

O subsecretário de Meio Ambiente do Estado, Antônio da Hora, diz que serão retirados 2,2 milhões de metros cúbicos de sedimentos do canal, entre os quais estão os dejetos contaminados com sete metais pesados: mercúrio, chumbo, zinco, cromo, níquel, bário e antimônio.

Somente a parte contaminada está sendo isolada nos sacos de geotextil. O restante, depois de retirado o lixo, vai para alto-mar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.