Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

Sustentabilidade está fora da agenda da política pública

Para especialistas, governo prefere estimular o consumo a mediar transição para economia verde

O Estado de S. Paulo

30 Maio 2012 | 09h59

As discussões na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, serão orientadas segundo dois eixos básicos: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e o arcabouço institucional para esse mesmo desenvolvimento.

 

Sobre o primeiro eixo, a rádio Estadão ESPN, em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVces), o Instituto Socioambiental (ISA) e o Instituto Vitae Civilis, organizou anteontem um debate com o coordenador do GVces, Mario Monzoni, e o coordenador de Processos Internacionais do Vitae Civilis, Aron Belinky, sob mediação de André Carvalho, do Gvces.

 

Economia verde

 

Monzoni - A gente deveria trabalhar para construir uma matriz de incentivos (econômicos) que privilegiasse o desenvolvimento sustentável e não o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

 

Belinky - Economia verde não pode ser vista só como um conjunto de oportunidades de negócio. Algo do tipo: passou a moda da sustentabilidade, já tinha passado a do ecológico... vamos agora para a da economia verde. Isso vai atrapalhar mais que ajudar.

 

Desafios

 

Belinky - A discussão pública evita temas menos confortáveis. Em primeiro lugar, o conflito distributivo que, para ser resolvido, exige que alguns abram mão de algo. Em segundo lugar, a necessidade de redefinir o padrão de vida das pessoas. Com a tecnologia atual, não dá para todo mundo ser da classe média brasileira. Essa discussão é escamoteada porque ela é antipática, gera divisão. De fato, não é um problema econômico, mas político: como viabilizar uma transição assim?

 

Brasil

 

Monzoni - (Creio que a presidente Dilma Rousseff pensa:) "Está tudo bom, obrigado". O Brasil tem 50% da matriz energética renovável e poucos países tiraram tanta gente da miséria nos últimos tempos. Quem tiver resultados melhores que atire a primeira pedra. E, assim, o movimento que a gente quer de uma nova agenda não encontra ressonância no governo. No poder não está a agenda do desenvolvimento sustentável. Está aquela para quem crê que faz todo sentido investir no marketing de produtos, mesmo desnecessários, porque aumenta o consumo e o PIB. Quando vai mudar? Com outra agenda...

 

Rio+20

 

Belinky - A Rio+20 tem de ser vista como uma peça em dois atos. Se a gente achar que o jogo termina no dia 23 de junho, ficaremos frustrados. Estamos colocando os problemas na mesa para sair de lá com meia dúzia de eixos que devem ser trabalhados no curto prazo e marcar uma agenda para 2015, quando será o lançamento das metas do desenvolvimento sustentável e começará a implementação forte. Ou seja, A Rio+20 vai durar mais três anos até o segundo ato estar concluído. 

Notícias relacionadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.