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Superpopulação de tigres em cativeiro preocupa China

País tem 6 mil tigres vivendo em péssimas condições e incapazes de se readaptar à vida selvagem

Efe,

09 Fevereiro 2010 | 08h47

Os especialistas se perguntam o que pode fazer a China com os 6 mil tigres que mantém em cativeiro em condições deploráveis e incapazes de se readaptar à vida selvagem no período de um ano, no ano do Tigre, no qual os preservacionistas tentarão salvar da extinção o símbolo mais poderoso da Ásia.

 

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A população de tigres em cativeiro da China é a maior do mundo, após superar em 2007 os Estados Unidos, onde, segundo a organização Traffic, a rede mundial de vigilância sobre flora e fauna, há outros 5 mil deles entre muros e cercas.

 

A situação é um paradoxo, levando em conta que o felino se extinguirá em seu habitat natural em menos de três décadas se não forem tomadas medidas, segundo a organização ambiental WWF. No entanto, estes tigres domados são incapazes de aprender a caçar e seu habitat e presas praticamente desapareceram.

 

"Se fosse necessário escolher entre a extinção da espécie e a sobrevivência de exemplares em cativeiro, acho que seria melhor a extinção em vez de sítios e zoológicos na China e em muitos outros lugares do mundo", declarou Kati Loeffler, veterinária do Fundo Internacional para a Proteção dos Animais (IFAW). A

A especialista é favorável a fechar os sítios porque "só servem para abastecer o mercado negro de partes de tigre e porque a qualidade de vida dos animais nesses lugares é desumana". Ela ressalta que as ONGs e o Governo poderiam se ocupar dos tigres até que morram de forma natural e, em últimos casos para os mais doentes, que os sacrifiquem.

 

O grande felino asiático agoniza em toda a região. Dos 3,2 mil remanescentes em terras de Índia, Rússia e China, só sobraram 50 no território chinês, e só os tigres de Amur, no nordeste, com 20 espécimes, têm chances de sobreviver por sua proximidade com a reserva russa.

 

Um século atrás havia 100 mil tigres no mundo. Mas desde então, os extermínios em massa e a caça causaram a extinção das subespécies de Bali em 1937, a persa ou o tigre Cáspio na década de 1960, e a de Java, vista pela última vez nos anos 70.

 

Readaptação na natureza

 

"Nossa opinião é que vai ser muito difícil ensinar os tigres a caçarem na natureza, não conhecemos nenhum caso bem-sucedido", explica Jiao Bei, porta-voz da Traffic na China. Ou seja, uma vez em cativeiro, o tigre perde sua capacidade depredadora e, portanto, a de sobreviver: em liberdade, não sabe viver longe do homem, de quem se aproxima para receber comida, não sabe nem como matar uma vaca, aponta Xie Yan, diretora para a China da ONG ambiental WCS.

 

A maioria dos especialistas mencionados propõe o fechamento dos sítios estatais e a manutenção da proibição do comércio, enquanto outros acham que o fim dos sítios aumentará a caça ilegal. Xie, da WCS, afirma que "essas fazendas são um problema muito grave, porque mantêm o comércio ilegal. O problema é como fechá-las e o que fazer com os 6 mil tigres. Não temos resposta".

 

O desaparecimento do tigre, um predador que ocupa a cúpula da pirâmide do ecossistema selvagem, evidencia a deterioração da fauna em nosso planeta, afirmam os especialistas.

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