Stephanes se diz ambientalista e critica pecuária na Amazônia

Mas ministro critica reserva de áreas, dizendo que há Estados em que o uso do solo está restrito a 2,18%

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

16 Julho 2008 | 16h35

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, criticou a atividade desenvolvida por alguns pecuaristas na Amazônia. "Não faz nenhum sentido que hoje um pecuarista derrube de 4 mil a 5 mil hectares na Amazônia, no Bioma Amazônico, para colocar 5 mil cabeças de gado e criar dois empregos", afirmou ele, em  discurso durante cerimônia para assinatura de um protocolo que tem o objetivo de estimular o investimento das cooperativas no mercado de carbono.   Essa situação, lembrou Stephanes, não "faz nenhum sentido porque tem tanta área de pastagem para ser recuperada, para ser melhorada em termos de rendimento". Durante o evento, que aconteceu na sede da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o ministro reafirmou que é possível dobrar  a produção agrícola do País sem derrubar uma única árvore. "Eu até posso dizer que eu sou ambientalista", afirmou, ao lembrar que o meio ambiente é uma das suas preocupações.   Além de se intitular "ambientalista", Stephanes disse que o Brasil é país mais ecológico do mundo, o que não tem evitado as críticas. "Basta analisar os dados referente ao uso de energia limpa, de práticas na agricultura, mas por sua vez, também, é o país que mais apanha. E os grandes poluidores, que para citar só os três maiores, que são Estados Unidos, China e União Européia, estão muito tranqüilos e ainda com a capacidade de nos criticar", afirmou. Lembrando que estava fazendo uma brincadeira que não poderia ser levada ao pé da letra pela imprensa, o ministro também disse que "é mais fácil haver a extinção da agricultura brasileira do que da floresta".   E explicou: "Se vocês somarem todas as reservas criadas no Brasil, só as indígenas dão cinco estados do Paraná. Mais as quilombolas, as florestas de preservação permanente, as florestas de uso sustentável, as reservas legais, a não utilização das encostas, a não utilização acima de determinada altitude, os senhores sabem que já congelamos aí 70% do território nacional", afirmou. "Ou seja, se continuarmos nesse ritmo, daqui uns anos não vai mais sobrar nada. Então, daí é mais fácil entrar em extinção a agricultura do que o meio ambiente". Ele pediu o assunto seja tratado com mais "racionalidade".   "Nós temos alguns Estados brasileiros em que a capacidade de uso do solo está restrita a 2,18%, o resto já está proibido. Então, temos que tomar um pouco de cuidado em relação a isso", afirmou.   O ministro lembrou ainda que o Brasil é o 18º país do mundo em poluição e que está muito distante dos países que ocupam os primeiros lugares na lista. "Se somarmos a China, os Estados Unidos e a União Européia, a participação brasileira no processo de aquecimento global é um pouco mais de 1%", afirmou.   Ele cobrou mais iniciativa dos países ricos no combate ao aquecimento global. "Isso significa que tudo o Brasil fizesse não iria ter nenhum importância se os outros três conjuntos de países não fizessem a sua parte. Com certeza não estão fazendo a sua parte", afirmou.

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