Soros propõe US$100 bi para destravar negociações sobre o clima

O investidor bilionário George Soros disse à Reuters na quinta-feira que encontrou uma maneira de destravar as negociações sobre o clima em Copenhague, enquanto um grupo empresarial reclamava que a conferência não estava "afinada" com o setor privado.

GERARD WYNN, REUTERS

10 Dezembro 2009 | 15h10

As negociações na capital dinamarquesa, que visam a um acordo para o esboço de um novo tratado sobre o clima que substitua o Protocolo de Kyoto, emperraram na divisão da conta para cortar as emissões de carbono.

Os países mais pobres querem que as nações ricas gastem um por cento ou mais do PIB nos cortes de emissões do mundo em desenvolvimento, ou ao menos 300 bilhões de dólares por ano -- cerca do dobro das estimativas feitas pelos países industrializados.

"Encontrei uma maneira para que outros paguem... mobilizar as reservas que estão ociosas", afirmou Soros nos bastidores da conferência, que segue até o dia 18 de dezembro, à qual comparecerão líderes mundiais nos dois dias de encerramento.

"Acho que esse fundo de 100 bilhões de dólares poderia levar essa conferência do fracasso ao sucesso".

Soros planeja investir 1 bilhão de dólares do total de 25 bilhões de dólares do seu fundo próprio em ativos de baixo carbono. A iniciativa dele concentra-se apenas em preencher a lacuna no financiamento de curto prazo para cortes de emissões nos países em desenvolvimento e apoia-se em ativos do Fundo Monetário Internacional.

Estimativas da ONU sugerem que mais de três quartos do dinheiro para combater a mudança climática devam vir do setor privado, pois os governos não são capazes de mobilizar os estimados 10,5 trilhões de dólares de investimento extra em energia necessários para cortar as emissões de carbono até 2030.

Outros 100 bilhões de dólares anuais são necessários a fim de que os países em desenvolvimento se preparem para um mundo mais quente, avalia o Banco Mundial.

Mas algumas pessoas do setor empresarial afirmam que as negociações em Copenhague têm prestado muito pouca atenção às iniciativas para mobilizar fundos do setor privado e aumentar os mercados de carbono existentes.

"Parece que esse processo algumas vezes está muito desconectado da forma como a tecnologia é empregada e os negócios, realizados", disse a presidente do Conselho Empresarial para Energia Sustentável, Lisa Jacobson, à Reuters. "Há iniciativas (do setor privado) muito boas, mas não estão afinadas com os documentos (da conferência)".

Grupos ambientais elogiaram a ideia de Soros. "A proposta é uma iniciativa excitante que merece mais consideração", disse o coordenador ambiental da ActionAid, Tom Sharman.

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