Situação dos oceanos é preocupante

Pesca predatória e falta de conservação dos recifes de corais são os principais problemas

HERTON ESCOBAR -ESPECIAL PARA O ESTADO/BERKLEY

06 Outubro 2014 | 06h00

Uma das situações mais preocupantes é a dos oceanos. Se houve avanços em terra firme, com relação às florestas, debaixo d'água a coisa parece estar cada vez pior. A pesca predatória, diz o relatório, continua a ser um "problema grave", com um número cada vez maior de espécies e estoques pesqueiros à beira do colapso, e a manutenção e incentivos econômicos a atividades pesqueiras não sustentáveis por parte de governos e indústrias.  

No que diz respeito à conservação dos recifes de corais, o saldo do últimos quatro anos é negativo, segundo o GBO4 – ou seja, a situação piorou em vez de melhorar, com aumento da poluição e da pressão pesqueira predatória sobre esses ecossistemas. A meta de proteger "pelo menos 10% dos ambientes costeiros e marinhos" também não está sendo alcançada.

"O ambiente marinho continua em situação crítica", diz Antonio Carlos Marques, diretor do Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da Universidade de São Paulo, que analisou o GBO4 a pedido do Estado. "Embora tenhamos visto grandes ações por parte de alguns países, como os Estados Unidos, no sentido de criar grandes áreas protegidas marinhas, o princípio de representatividade ecológica e evolutiva dessas áreas continua sendo ignorado."

"O relatório é positivo no sentido de que estamos no caminho certo para atingir a maioria das metas, mas alarmante no sentido de que falta muito para chegarmos lá", avalia o pesquisador Rafael Loyola, do do Laboratório de Biogeografia da Conservação da Universidade Federal de Goiás. Mesmo quando se fala dos 17% de ambientes terrestres protegidos, segundo ele, é preciso levar em conta não só o número, mas o que está representado dentro dele. "O Brasil tem uma grande parte de seu território designada como áreas protegidas, mas a maior parte disso está na Amazônia. E o cerrado, e a caatinga, como ficam? Há muitas diferenças internas que precisam ser levadas em conta. Só atingir a meta também não significa que está tudo resolvido."

Segundo Loyola, o diagnóstico do GBO4 é um reflexo do risco que se corre ao assumir metas audaciosas.“No cenário político é muito bom apontar caminhos e mostrar onde queremos chegar; mas criar metas para depois ficar muito aquém delas é muito ruim. Fica parecendo que foi tudo um teatro”, diz o biólogo, que acaba de publicar um artigo na revista Diversity and Distributions sobre o fato de as políticas ambientais brasileiras muitas vezes caminharem no sentido contrário daquilo que o país prega nos fóruns internacionais. Ele cita as mudanças feitas no Código Florestal, a construção de grandes hidrelétricas e a redução da cobertura de áreas protegidas na Amazônia.

"O discurso do Brasil lá fora é todo correto, todo maravilhoso, mas o que a gente vê aqui dentro é outra realidade; é uma coisa meio esquizofrênica", diz. “O Brasil tem um papel de liderança em assuntos ambientais globais e está arriscando perder isso com essas decisões inconsistentes nas políticas nacionais.” 

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