Shell econtra resistência para explorar gás naural na África do Sul

Técnica conhecida como fratura hidráulica pode contaminar águas subterrêneas de região onde já ocorre stress hídrico

AP

03 de março de 2011 | 21h32

A Shell quer usar uma tecnologia intensiva que pode contaminar as águas subterrâneas para extrais gás de uma região semi desértica da África do Sul, mas executivos da gigante internacional do petróleo disseram nesta quinta que as pessoas que vivem na área não serão deixadas sem água.

A proposta está apenas nos estágios iniciais, mais já atraiu tanta oposição - incluindo ameaças de processos - que o alto escalão da Shell teve de sentar-se com os repórters do país para tentar inspirar confiança.

O chefe de exploração internacional da empresa, Graham Tiley, assumiu que o uso da fratura hidráulica para extração do gás requer grande quantidade de água. Ele afirmou que a Shell irá cavar poços ou trazer água do mar para evitar a competição pela escassa água que há com os residentes de Karoo, no oeste do país, onde predominam atividades pastoris e a criação de ostras, e que ostenta uma paisagem muito bonita.

 

A tecnologia conhecida como fratura hidráulica está por trás do boom do gás natural nos EUA, onde foram levantados questionamentos acerca de seus impactos.

O presidente da Shell na África do Sul, Bonang Mohale disse nesta quinta-feira que a profundidade dos poços cavados pela empresa e as camadas de aço e concreto co que será revestidos vão garantir que a água não seja contaminada.

"Há ao menos três barreiras físicas", afirmou ele. "Estamos fazendo tudo que é possível com o que a tecnologia permite hoje."

A fratura hidráulica envolve o bombeamento profundo de água misturada a areia e produtos químicos no solo para forçar o gás natural a se desprender do xisto. A técnica já é aplicada há algumas décadas, mas recentemente tem sido objeto de escrutínio por conta de seu crescente uso nos EUA, particularmente quando os poços são cavados em áreas muito povoadas.

Os resíduos do processo consistem em enormes quantidades de água carregadas com sal e vestígios de produtos químicos, alguns dos quais podem causar câncer se ingeridos em quantidade alta.

   

O fracionamento também libera bário, encontrado em depósitos de minério no subsolo, e que pode causar pressão alta.

Tiley disse que a Shell iria trabalhar com as autoridades locais para garantir que os resíduos sejam dispostos em segurança.

O gás natural é visto como um combustível relativamente barato e limpo. A Shell tem usado o fracionamento para extração na América do Norte, Europa e Ásia, e está prospectando desde 2009 o que seria o primeiro projeto do gênero na África.

"Achamos que há boas chances de encontrarmos gás em Karoo", afirmou Tiley, logo acrescentando não saber dizer o quanto e nem o custo do processo de extração.

A Shell tem de prestar contas sobre os impactos ambientais e outras questões antes que possa começar a explorar e determinar onde o fracionamento seria comercialmente viável no África do Sul.

É improvável, segundo Tiley e Mohale, que a prospecção começe antes do final do ano que vem, e pode levar anos para que se saiba se os investimentos são viáveis ou não.

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