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Sentando na cadeira do patrão

Em 50, fundador da Herman Miller criou normas verdes; em 89, funcionários se uniram para aprofundá-las

Alice Lobo, especial para O Estado de S. Paulo

30 Abril 2010 | 00h01

Fabricante de móveis de escritório que fatura US$ 1,6 bilhão por ano, a americana Herman Miller tem mais de 50 prêmios de boas práticas socioambientais. Pioneira, adotou em meados do século passado uma política ambiental interna, a Policy 53, concebida pelo seu fundador, D.J. De Pree. O que torna o caso da Herman Miller singular, porém, é a mobilização dos funcionários. Nos anos 80, eles se uniram para cobrar o cumprimento das normas verdes criadas pelo patrão e adotá-las ao pé da letra.

 

De Pree fundou a Herman Miller em 1923. “Seremos bons comissários do meio ambiente”, afirmou 20 anos depois, quando baixou a Policy 53. Hoje a gigante americana é referência em design sustentável. Foi também uma das fundadoras da United States Green Building Council, órgão que faz a certificação de prédios verdes nos Estados Unidos – sua sede, a Green House, serviu de referência para o selo verde Leadership in Energy and Environmental Design (Leed).

 

Para chegar a esse estágio, a Herman Miller dependeu do compromisso dos funcionários. O movimento iniciado em 1989 por 15 gerentes levou, dois anos depois, à criação do Environmental Quality Action Team, que hoje tem mais de 400 funcionários divididos em oito equipes. São elas as responsáveis pelo cumprimento de diretrizes como design sustentável, adoção de processos industriais de baixo impacto ambiental e de redução de consumo de energia.

 

Em 2003 foi lançado o primeiro produto seguindo o protocolo McDonough Braungart Design Chemistry, criado pela equipe de “design pelo meio ambiente” da Herman Miller: a cadeira Mirra. O protocolo estabeleceu uma espécie de certificação interna para avaliar o material empregado na fabricação dos móveis nos quesitos composição química, reciclagem, desmontagem e reutilização.

 

Atender a todas essas especificações exige tempo e investimento. O projeto da cadeira Embody, por exemplo, consumiu seis anos de trabalho e US$ 12 milhões. Vendida por R$ 5.300, ela tem 12 anos de garantia.

 

Quartel-general

As equipes internas também criaram padrões rígidos para as instalações da Herman Miller. A Village Green, quartel-general internacional da empresa, em Chippenham, Inglaterra, recebeu grau de excelência do selo Leed e da instituição britânica Building Research Establishment Environmental Assessment Method (Bream), que analisa a sustentabilidade de edifícios. Foi concebido, aliás, para isso: obter o nível mais alto de certificação tanto em termos de construção quanto de gestão sustentável.

 

Com 2 mil metros quadrados de área construída, a Village Green tem um sistema de ventilação natural que dispensa o ar condicionado. “A face norte é inteira de vidro, o que garante que 95% das mesas tenham vista para fora e 75% tenham luz natural o dia todo”, diz Luke Dawson, relações-públicas da empresa.

 

Os carpetes usados são todos de material reciclável. As tintas, adesivos e solventes utilizados nas instalações têm baixa emissão de elementos tóxicos. Além disso, a empresa usou na obra fornecedores locais de material de construção, localizados a até 30 quilômetros de distância.

 

Os copos e os talheres descartáveis são biodegradáveis. Os funcionários também são estimulados a ir trabalhar de bicicleta: a Village Green tem estacionamento de bike e vestiário com armários e chuveiros. “As pessoas precisam se importar com assuntos da empresa que vão além do seu trabalho”, diz Mike Grigg, gerente comercial da Herman Miller no Reino Unido.

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