Sem metas, objetivos sustentáveis devem ser só enunciados

Os objetivos do desenvolvimento sustentável - um dos principais pontos esperados como resultado da Rio+20, neste mês - não devem conter metas numéricas, apesar da pressão europeia.

Gustavo Chacra, correspondente/ Nova York, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2012 | 03h19

A afirmação foi feita nesta quinta-feira pelo embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, secretário executivo da Comissão Nacional para a Rio+20, na penúltima rodada de negociações pré-conferência, que acontece em Nova York. O diplomata disse que "o Brasil vê com bons olhos a ideia de metas, mas não há tempo para defini-las" até o evento.

Segundo o embaixador, a metas devem ficar para o futuro, com as nações se comprometendo apenas com os objetivos de desenvolvimento sustentável na conferência da ONU. "O prazo para a definição numérica seria de 2013 a 2015, após o fim das metas do milênio", afirmou.

Um dos entraves tem sido a quantidade de envolvidos na elaboração do documento que será discutido no Rio de Janeiro. Além de governos de todos os países do mundo, existem ainda entidades privadas e da sociedade civil que querem que suas posições sejam levadas em consideração. Algumas nações atuam em bloco, como os europeus e o G-77 (do qual o Brasil faz parte), e outras optam por atuar sozinhas, como os Estados Unidos.

A definição do status do Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) ainda divide os países. Alguns querem sua transformação em agência. Outros acham um equívoco, porque aumentaria a burocracia. "Mas existe consenso de que o Pnuma precisa de um orçamento para não mais viver de doações, como agora", disse Figueiredo.

As negociações em Nova York se estendem até amanhã. Quando terminar, os copresidentes devem redigir um documento final para ser debatido pelo comitê preparatório, já no Rio de Janeiro, às vésperas da conferência propriamente dita. Até agora, o texto tem quase 80 linhas.

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