Sem lastro no real, fundos não sobrevivem
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Sem lastro no real, fundos não sobrevivem

A criação de produtos carimbados como sustentáveis precisa estar atrelada a mudanças na gestão dos negócios

Especial ESG, Media Lab Estadão
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30 de outubro de 2020 | 05h00

O investimento sustentável ou responsável está no radar do mercado financeiro há um bom tempo, com gestores e investidores – particularmente os de alta renda – atentos ao tema. Com toda a publicidade em torno do ESG, aumenta a expectativa de que alternativas de investimento mais democráticas cheguem aos clientes em geral. Independentemente dos produtos terem o selo “ESG”, as gestoras, desde o ano passado principalmente, avançam na adoção de critérios socioambientais e de governança nas análises das carteiras. Na visão que se consolida, será uma conduta mandatória no futuro próximo.

Carta anual do executivo-chefe da maior gestora do mundo, a BlackRock com US$ 7 trilhões de ativos, foi explícita. “Estamos à beira de uma mudança estrutural das finanças”, escreveu no começo do ano Larry Fink, se referindo à decisão da gestora que usará avaliações ambiental, social e de governança em suas decisões. Não há dados de quanto a indústria ESG movimenta no Brasil. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), havia em setembro R$ 645 milhões alocados em fundos de ações da categoria Sustentabilidade/Governança. Avanço de 44% sobre igual período de 2019.

O vice-presidente de Investimento, Vida e Previdência da SulAmérica, que tem um fundo de ações ESG, destaca o crescente interesse pelo tema que atrai investidores, mas faz um alerta: “O ESG não é um produto necessariamente”. “O essencial é que os gestores alterem seus processos para, depois, criarem produtos. Um movimento contrário pode não ser positivo”, comenta Marcelo Mello. Há alguns anos, a SulAmérica começou o processo de sensibilização de todo o estoque para a nova realidade.

No ano passado, a SulAmérica lançou um fundo carimbado como ESG, o Fundo de Ações Total Impacto. Para montar o portfólio do fundo, são avaliados quatro índices: o ISE (sustentabilidade empresarial), o IGC (governança corporativa), o ICO2 (carbono eficiente) e o Índice Dow Jones de Sustentabilidade. O próximo filtro é qualitativo, quando se olha, por exemplo, o retorno sobre capital. Ao final, o fundo conta com algo perto de 20 empresas e cobra uma taxa de administração de 1,2%, que também tem uma função social ao ser revertida para a organização Vagalume que leva educação para crianças na Amazônia. O Total Impacto, da SulAmérica, rendeu em 12 meses, até setembro, 2,18% negativos, ante um Ibovespa com queda bem superior, de 9,68%.

A JGP Asset Management é outra gestora que também incorporou os fatores ESG no processo de investimento de fundos. Marcio Correia, gestor de ações da JGP, também considera mais importante os processos levarem em conta fatores ESG do que a criação de produtos. “Não sei se um gestor ou investidor precisa se declarar ESG, mas reconheço que, neste momento, ajuda a formar uma cultura”, comenta Correia.  “O mercado financeiro é privilegiado, ainda mais em um país com tanta desigualdade, e tem o dever moral de acelerar o processo de mudança. Não é modismo.” Neste ano, a gestora criou o fundo de ações JGP ESG, fruto de uma experiência que começou em 2019 a pedido de um grande investidor que tinha um fundo exclusivo e não queria seus recursos em determinadas empresas e setores. “Gostamos de plataformas como Magazine Luiza, Mercado Livre e de Arco Educação, por exemplo, que têm boa governança e usam tecnologias inovadoras.” Outras empresas com iniciativas ambientais importantes também compõem o fundo, como a Suzano, que acaba de lançar um instrumento de dívida atrelado a metas de sustentabilidade.

Depois da Enel, Suzano lança papel com metas ambientais

Depois dos “green bonds”, títulos de dívida carimbados para o uso em projetos sustentáveis, a novidade agora é o “sustainable linked-bonds”. Também um instrumento internacional de dívida, porém sem que os recursos captados tenham vinculação a um projeto específico. O compromisso é com o cumprimento de indicadores de performance ambientais (KPIs).

Até hoje, apenas uma empresa havia lançado esse tipo de papel no Brasil, a distribuidora de energia Enel em outubro de 2019. A Suzano, em setembro deste ano, passou ser a segunda. Conforme fato relevante divulgado pela companhia, o novo bônus terá prazo de dez anos e está atrelado a metas de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa, em linha com a implementação de sua meta de longo prazo de redução das emissões até 2030. O bond tem um gatilho de elevação de juro de 0,25 ponto porcentual, a partir de 2026, se as metas não forem atingidas. Com o novo papel, a empresa conseguiu US$ 750 milhões no mercado internacional, com vencimento em 2031.

A operação é elogiada pelo mercado. “Os temas do meio ambiente, de aquecimento global estão ganhando espaço na pandemia. Não vejo mais questionamento se o aquecimento global existe”, diz Marcelo Mello, vice-presidente de Investimentos, Vida e Previdência da SulAmérica, citando a Suzano. “A Suzano vem fazendo um excelente trabalho em sustentabilidade e a emissão do papel atrelado a metas ambientais é um bom exemplo”, afirma Mello.

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