Secretário-geral da ONU quer novo acordo climático até 2009

O secretário-geral daOrganização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, pediu naquarta-feira ao mundo para definir até 2009 um novo tratadoclimático global, e disse que as reduções nas emissões dosgases do efeito estufa podem ser detalhadas depois da atualreunião da entidade em Bali. Entrando em uma disputa que opõe os Estados Unidos à UniãoEuropéia (UE) e a alguns países em desenvolvimento, Ban disseque a meta da atual reunião, que termina nesta semana, é que omundo aceite lançar negociações para um tratado que suceda aoProtocolo de Kyoto, que expira em 2012. Ban disse a mais de 120 ministros de Meio Ambiente que amudança climática é "o desafio moral da nossa geração", e quehá uma "urgência desesperada" para conter o fenômeno que deveprovocar secas, inundações, elevação dos mares, ondas de fome eextinção de espécies. "A hora de agir é agora", disse Ban aos ministros,divididos a respeito das bases a serem adotadas em negociaçõesque levem a um tratado mais abrangente que o Protocolo deKyoto. Washington lidera a oposição a qualquer menção a provascientíficas da necessidade de reduzir de 25 a 40 por cento(sobre os níveis de 1990) as emissões de gases do efeito estufaaté 2020. "Falando em termos práticos, isso terá de ser negociadomais adiante", disse Ban, ecoando a posição norte-americana."Temos dois anos antes de concluirmos um acordo internacionalsobre este assunto." Apesar disso, ele disse que os países deveriam respeitar aconclusão de uma comissão da ONU que sugere a redução de 25 a40 por cento nas emissões. AUSTRÁLIA FORMALIZA ADESÃO A KYOTO O novo primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, entregoua Ban os documentos que formalizam a ratificação do Protocolode Kyoto, um dos primeiros atos de seu governo, neste mês. A decisão australiana deixa os EUA isolados como o únicopaís desenvolvido que rejeita limites às emissões dos gases doefeito estufa, conforme estabelece o Protocolo de Kyoto. As negociações preliminares de Bali devem ser concluídas nasexta-feira ou na madrugada de sábado. Os encontros anuais daONU sobre clima habitualmente têm discussões exaustivas, queatravessam a noite. A ONU quer que o novo tratado esteja definido até 2009 paraque os Parlamentos tenham três anos para ratificá-lo e para queempresas e governos do mundo todo tenham tempo para se adaptaràs novas regras, que provavelmente exigirão bilhões de dólaresem investimentos diversos, como painéis de energia solar eturbinas para substituir o carvão por vento em termoelétricas. (Com reportagem de Sugita Katyal e David Fogarty em Bali)

ADHITYANI ARGA, REUTERS

12 de dezembro de 2007 | 09h04

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