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Secretário de Estado dos EUA faz apelo aos países em desenvolvimento

'Mais de 50% das emissões mundiais vêm dos países em desenvolvimento. Eles também são responsáveis", disse John Kerry

Denise Chrispim Marin, ENVIADA ESPECIAL/O ESTADO DE S. PAULO

11 Dezembro 2014 | 20h19

LIMA - Em uma rápida passagem pela 20ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP20), em Lima, o secretário americano de Estado, John Kerry, fez um enérgico apelo em favor de um acordo multilateral para conter o aquecimento global. Kerry não direcionou seus argumentos às nações industrializadas, mas aos países em desenvolvimento. Tampouco indicou que os Estados Unidos virão a apresentar um compromisso mais ambicioso do que o anunciado há um mês, junto com a China.

"Mais de 50% das emissões mundiais (de gases do efeito estufa) vêm dos países em desenvolvimento. Eles também são responsáveis", afirmou, em discurso para a imprensa, depois de ter mencionado ser seu país e a China, conjuntamente, responsáveis por 40% das emissões. O secretário de Estado não abriu possibilidade de perguntas da plateia de jornalistas.


Kerry repetiu insistentemente, por cerca de 45 minutos, que nenhum país está imune aos efeitos da mudança climática nem pode, sozinho, resolver o desafio do aquecimento global. Se apenas um fizer sua tarefa, disse, todos continuarão prejudicados. Países ricos e em desenvolvimento fazem igualmente parte do problema e, para o fracasso desse conjunto de Nações na construção de um acordo, não haverá perdão, sublinhou ele. 

"Ainda há tempo para a comunidade internacional fazer a sua escolha por uma (matriz limpa) de energia. Há um janela pequena para mudar o rumo, mas ela está se fechando", afirmou Kerry. "Temos de chegar a um grande acordo em Paris. A um acordo gigante, mensurável e com medidas claras", completou, referindo-se ao compromisso que os 195 países da Convenção-Quadro das Partes sobre Mudança Climática devem concluir em novembro de 2015 na capital francesa.

Não houve menção aos tópicos que os EUA não querem aceitar nas negociações em curso em Lima. Entre eles está a apresentação de compromissos obrigatórios por todos os países. A delegação americana alega que, se assim for, o acordo de Paris terá de ser submetido a aprovação do Congresso dos EUA, de maioria republicana, sem nenhuma chance de aprovação. Os países em desenvolvimento, especialmente o Brasil, vêm nessa ressalva um meio de a Casa Branca puxar para baixo a ambição do acordo final.

Promessas. Kerry repetiu a promessa americana de reduzir em 83% as emissões de gases do efeito estufa até 2050, em comparação com as de 2005. Em 2025, já seriam diminuídas entre 26% e 28% Essas metas foram definidas em uma declaração conjunta dos EUA com o governo chinês, em novembro. Ele elencou ações voluntárias já tomadas pelo governo de Barack Obama para reduzir as emissões nas áreas de transporte e de energia. Mas não emitiu nenhum sinal de que a Casa Branca possa ampliar seus compromissos no ano que vem, como parte do acordo de Paris.

Preferiu, em seu apelo para convencer as delegações a serem mais ambiciosas, elencar uma série de consequências da mudança climática já percebidas em todo o mundo e de compará-las ao "terrorismo e às epidemias". O custo dos tornados e furacões nos EUA apenas em 2012 - tornados e furacões - chegou a US$ 110 bilhões. Conforme completou, os prejuízos dos eventos climáticos extremos - secas, inundações, tempestades mais intensos e frequentes - devem se estender à segurança alimentar e à nutrição. Mencionou, entre esses eventos, a seca no Brasil. "O homem criou o problema e, agora, tem de consertá-lo."

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