Secretaria vai fiscalizar queima de palha da cana

Apesar de proibida, prática continua e agrava as condições do ar

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2010 | 11h12

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente vai fiscalizar e autuar produtores e usinas que queimam o excesso de palha em áreas de colheita mecanizada de cana-de-açúcar. Apesar de proibida, a prática continua e agrava as condições do ar, principalmente nas regiões centro-oeste e norte do Estado.

 

A reportagem flagrou vários pontos de queimada, na última segunda (9), durante o dia, na região de Piracicaba. Em Capivari, o funcionário de uma usina usava um maçarico para espalhar o fogo sobre a palha em canavial recém-colhido. Fumaça denunciava a prática em outras áreas.

 

A queima da cana está proibida das 6 às 20 horas, desde o início de junho. Segundo o gerente do Projeto Etanol Verde, da secretaria, Ricardo Viegas, a prática "deve ser denunciada, pois a Cetesb vai fiscalizar e será passível de multa".

 

De acordo com Viegas, em cada hectare de cana colhido, ficam 13 toneladas de palha. Esse material, segundo ele, ajuda a conservar o solo.

 

O engenheiro agrônomo José Lima de Oliveira Junior, da Cooperativa dos Plantadores de Cana da Zona de Guariba (Coplana), uma das maiores do Estado, disse que em algumas variedades o excesso de palha prejudica a rebrota da cana. O material favorece também a proliferação da cigarrinha, uma praga da lavoura. A alternativa recomendada, segundo ele, é tratar com defensivo o excesso de palha, evitando a queima.

 

De acordo com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, apesar de a colheita de cana estar mais avançada este ano, em relação a 2009, a área colhida com o uso de fogo foi reduzida em 230 mil hectares. Um protocolo firmado com usinas e produtores prevê o fim da queima em 90% dos canaviais - áreas passíveis de mecanização - até 2014.

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
meio ambienteplaneta

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.