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Secretaria apura envolvimento de policial em desmatamento em SP

O tenente, comandante do pelotão que atua na fiscalização de crimes ambientais na região do Vale do Ribeira, foi afastado do serviço

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2016 | 23h25

SOROCABA - A Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA) investiga o envolvimento de um tenente da Polícia Militar Ambiental no desmatamento de uma área de 700 mil m2, em Iguape, no Vale do Ribeira. O policial, comandante do pelotão que atua na fiscalização de crimes ambientais na região, foi afastado do serviço. Na quarta-feira, 9, agentes da Coordenadoria de Fiscalização Ambiental da Secretaria e técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) detiveram oito pessoas e apreenderam cinco máquinas encontradas na área devastada. Os quatro donos do terreno serão multados em R$ 5,3 milhões.

De acordo com monitoramento realizado pela pasta, o desmatamento começou em 2013 e avançou muito além da área autorizada na época. O secretário Ricardo Salles participou pessoalmente da operação que flagrou os donos da área em plena atividade. "Havia árvores frondosas, de espécies da Mata Atlântica, arrancadas pela raiz com o uso das máquinas. Encontramos também restos de árvores sendo queimados, ainda com fumaça, uma forma de esconder o crime ambiental. Foi suprimida uma área relevante do ponto de vista da biodiversidade", contou Salles.

A área devastada fica às margens da rodovia Casimiro Teixeira, em local de fácil acesso. O secretário disse que as dimensões da derrubada e o tempo levado para a supressão da mata indicam que houve ao menos conivência da autoridade ambiental local. "Não é possível que a fiscalização não tivesse conhecimento do que se passava e não tomasse as providências."

Segundo ele, a apuração mostrou que o tenente, que comandava as equipes de fiscalização, era amigo de um dos donos da área. "Encaminhamos à polícia uma foto dele tomando cerveja num bar na companhia do infrator ambiental." O afastamento do tenente, segundo o secretário, visa a possibilitar uma investigação com total isenção e liberdade de apuração, além da ampla defesa do suspeito. A Polícia Militar Ambiental já abriu uma sindicância interna.

Os quatro acusados da família Coelho, além dos funcionários, foram levados à Delegacia da Polícia Civil de Iguape e autuados, mas vão responder em liberdade pelo crime ambiental. A Secretaria vai pedir o perdimento das máquinas de grande portes encontradas no local. A reportagem tentou contato com Ricardo Coelho, que responde pela família, mas ele não retornou as ligações.

 

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