SeaWorld anuncia fim do programa de espetáculos com orcas

Empresa viu número de visitantes cair; segundo SeaWorld, cetáceos não serão liberados porque não podem se adaptar à vida selvagem

O Estado de S. Paulo

17 Março 2016 | 16h22

A empresa de parques temáticos SeaWorld anunciou nesta quinta-feira, 17, que está cancelando seu programa de espetáculos com orcas depois de anos de polêmica, para proporcionar aos visitantes a possibilidade de ter experiências mais "naturais" com estes cetáceos.

Segundo um comunicado, a SeaWorld não liberará os cetáceos, porque, de acordo com a empresa, já não podem se adaptar à vida selvagem.

A SeaWorld assegura em seu comunicado que toma esta decisão porque a "sociedade está mudando" e recorda que não capturou animais selvagens há cerca de 40 anos.

Após saber da notícia, a organização de proteção de animais PETA disse em um comunicado que a SeaWorld deve abrir seus "tanques ao oceano para permitir que as orcas que agora mantém cativas possam ter uma vida fora de suas prisões".

"SeaWorld deu um passo adiante, mas devem ir além. PETA pede às pessoas de todo o mundo que mantenham uma campanha forte para todos os animais".

As orcas de SeaWorld permanecerão nas instalações dos Estados Unidos, com parques em Orlando (Flórida), San Antonio (Texas) e San Diego (Califórnia), onde protagonizarão "novos e inspiradores encontros" com os visitantes.

Esta nova atração, mais "natural", deixará de lado o espetáculo para centrar-se em um compromisso de "educação, investigação de ciência marinha e resgate destes animais marinhos", segundo a empresa. 

A companhia disse que selou uma aliança com a organização de defesa dos animais Humane Society que servirá para educar os visitantes sobre o bem-estar e a conservação da "vida selvagem e os lugares onde vivem".

O novo projeto estreia no parque de San Diego em 2017, para posteriormente ser levado a San Antonio e Orlando em 2019.

A empresa, que viu como os números de visitantes nos parques caíram depois da estreia do documentário "Blackfish", dedicado à orca Tilikum, relacionada com a morte de três pessoas, presumiu ter contribuído para que 400 milhões de pessoas conhecessem de perto esta espécie.

Tilikum matou em 2010 uma de suas treinadoras, morte que se soma a outras duas nas quais o animal esteve relacionado antes de chegar ao parque de SeaWorld Orlando há 23 anos.

SeaWorld anunciou recentemente que a saúde de Tilikum está piorando ao se aproximar de uma idade limite para estes animais marinhos e sua conduta cada vez é "mais letárgica".

O parque considera que pelo tamanho que tinha quando foi capturada em 1983 Tilikum tem cerca de 35 anos, uma idade que está muito próxima do limite da expectativa de vida das orcas machos.

Segundo a organização especializada About Whales and Dolphins, em dezembro de 2015 havia 56 orcas em cativeiro, das quais 23 foram capturadas nos oceanos e 33 são nascidas em cativeiro, em ao menos 12 parques marinhos na Argentina, Canadá, França, Espanha, Rússia, Japão e Estados Unidos./ EFE

 

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